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Cromeleque dos Almendres

Regresse à estrada de alcatrão e, completando assim um desvio de cerca de 2 quilómetros, siga em direcção a Valverde, uma bonita vila de casas baixas tipicamente alentejana. Vá sempre pela rua principal até encontrar, aproximadamente a meio, à direita, o desvio para o Cromeleque dos Almendres. A estrada é boa, mas de terra batida, o que, com tempo seco, proporciona um generoso rasto de pó. Tenha consideração e abrande ao passar junto de eventuais ciclistas ou caminhantes.
O desvio desde Valverde até ao cromeleque totaliza, ida e volta, cerca de 13 quilómetros e pode constituir, juntamente com a Anta do Zambujeiro, um óptimo percurso para um passeio pedestre ou de bicicleta.

• Aproveite para ir observando os enormes sobreiros que se encontram perto da estrada, talhados à forma antiga, ou seja, de tronco principal curto e copa bem aberta. Actualmente, deixa-se crescer mais o tronco, para melhorar a rentabilidade da exploração da cortiça.

• Depois de atravessar a vila de Guadalupe, vire à esquerda. É preciso ir com atenção, porque a tabuleta que indica o cromeleque aparece de costas para nós! Chegado ao fim da estrada, deparará com um espectacular conjunto de menires, formando dois recintos megalíticos de forma vagamente elíptica. São 95 monólitos de diferentes formas e dimensões, desde pequenos blocos rudemente talhados a outros cilíndricos e fálicos ou de aspecto estelar. Embora permaneçam em aberto muitas questões sobre este tipo de monumentos, é possível que as teorias que os relacionam com o culto dos astros tenham algum fundamento. De acordo com os estudiosos, o Cromeleque dos Almendres terá sido uma construção de carácter plurifuncional, capaz de, durante cerca de dois milénios, organizar o espaço em termos físicos e psicológicos, hierarquizando e estruturando o território em seu redor.

• Se puder, visite este local “mágico” de manhã, bem cedo. Sente-se calmamente numa pedra, esperando o nascer do Sol, e aprecie, em silêncio, a beleza mística do local, inalando o ar fresco da manhã. Aproveite os primeiros raios solares para descobrir também, com a luz rasante, as inscrições talhadas pela mão dos homens pré-históricos na superfície de alguns dos monólitos.

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Portel

Já de regresso a Évora, pelo IP2, não deixe de fazer uma visita a Portel, uma simpática vila encimada por um castelo com um óptimo miradouro. Estacione o carro e dê um pequeno passeio, apreciando as ruas estreitas e a arquitectura característica da região. Talvez possa aproveitar para comprar algumas peças de artesanato, nomeadamente as engraçadas miniaturas de mobiliário. A cerca de 4 quilómetros, poderá visitar a Ermida de São Pedro, construída no topo de um cabeço de xisto, de onde se desfruta de uma panorâmica bem desimpedida dos arredores. Infelizmente, o local está repleto de enormes antenas de telecomunicações…

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Anta-Capela de São Brissos

Regressado a Valverde, vire à direita, na direcção de Santiago do Escoural. À saída da vila repare, à direita, no cemitério, com uma arquitectura pouco vulgar. Mais adiante e do mesmo lado da estrada, passará também pelo Cemitério de São Brissos, no cruzamento de um caminho de terra batida que segue até perto de Freguises, com um cedro lindíssimo inserido num recanto do muro alto. A paisagem é muito bonita e um pouco diferente das vastas e monótonas planícies típicas do Baixo Alentejo. Aqui existe um pouco de relevo e, por vezes, encontram-se matas serradas de sobreiros e azinheiras, assim como extensos olivais. Nesta região, poderá aproveitar também para visitar um dos muitos fornos para o fabrico de carvão a partir de restos de sobro e azinho. Basta seguir o rasto de fumo e o cheiro agradável resultante da queima destas madeiras.

• Encontrará a Anta-Capela de São Brissos (ou Capela de Nossa Senhora do Livramento) do lado esquerdo da estrada, bem inserida num local de vista desimpedida, vendo-se ao longe uma barragem. Trata-se de um dos raros monumentos megalíticos portugueses sacralizados e transformados em templos de culto cristão.

• Se o desejar, uma estradinha de terra batida em estado razoável permite-lhe chegar à barragem, num percurso de ida e volta de cerca de 2 quilómetros. Junto à margem, o chão é plano e recoberto de prado permanente. Durante as horas mais quentes do dia, é possível encontrar refúgio na sombra dos inúmeros e frondosos sobreiros e azinheiras, que chegam até bem perto da água. É o local ideal para saborear uma merenda e fazer uma agradável sesta, à sombra. Para os mais irrequietos, sugerimos uma boa caminhada à volta da barragem, observando as inúmeras aves que a povoam: patos, garças, cegonhas, etc. É claro que também é possível amenizar o calor, se for tempo disso, com um banho refrescante (sempre com muito cuidado, claro!). Se levar consigo a bicicleta, não hesite: deixe o carro junto à capela e parta à descoberta do circuito no veículo de duas rodas.

• Continuando o passeio, chega-se, pouco depois, a um cruzamento onde deve virar à esquerda, na direcção de Alcáçovas. Se virar à direita, poderá fazer um pequeno desvio e visitar a Gruta do Escoural, que se encontra bem sinalizada. Aí encontrará numerosas gravuras rupestres, as mais antigas datando do Paleolítico Superior.

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Anta do Zambujeiro

Inicie agora o passeio pela região a sul de Évora. Se o desejar, ainda pode fazer algumas compras de loiças e artesanato regional, junto à muralha do Jardim Público. Caso contrário, coloque o conta-quilómetros a zero e, saindo do Rossio de São Brás, vire à direita; depois de passar a Praça de Touros, volte novamente à direita, encontrando a Rotunda da Porta do Raimundo, de onde poderá seguir na direcção de Alcáçovas.

• A cerca de 3 quilómetros, encontra-se, à direita, um conjunto de pinheiros perto de um grande sobreiro destacado, onde, na Primavera possível observar uma enorme quantidade de garças-brancas que aí nidificam. Existe bastante espaço à beira da estrada para estacionar em segurança e observar, com toda a tranquilidade, este ruidoso espectáculo natural. Mas tenha o cuidado de não se aproximar demasiado das árvores com ninhos, nem assustar os animais de qualquer modo.

• No cruzamento que se encontra 6 quilómetros adiante, vire à direita, na direcção de Valverde e São Brissos. Um pouco depois, junto à universidade, volte de novo à direita, na direcção de Guadalupe e Valverde. Depois de passar por baixo de um aqueduto com um bonito portal encimado por um escudo, encontra-se a indicação do caminho para a Anta do Zambujeiro, à direita. Passados os armazéns de material agrícola da universidade, entra-se numa estrada de terra batida que leva a um largo à beira de um regato. Pode estacionar aí ou, se tiver um veículo todo-o-terreno, atravessar o regato e percorrer mais uns 200 metros até ao monumento. Se quiser ir a pé, pode usar uma pequena ponte.

• A mamoa da Anta do Zambujeiro tem mais de 50 metros de diâmetro e envolve uma enorme anta, de câmara poligonal e corredor longo abrindo-se em átrio para o exterior. Embora o seu aspecto revele um certo descuido, trata-se, de facto, de uma das maiores construções megalíticas do género na Europa. Este templo funerário funcionou como cemitério e local de culto, associado à estela-menir de grandes proporções, coberta de pequenos orifícios, que se encontra tombada a sudoeste. O vasto espólio encontrado nas escavações aí efectuadas nos anos 60 – vasos de cerâmica, lâminas e pontas de setas em sílex, instrumentos de cobre, etc. – está guardado no Museu de Évora.

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Vidigueira

Na Vidigueira, procure a Torre do Relógio, onde se encontra o sino que terá sido oferecido por Vasco da Gama, em 1520. Passe depois pela Cascata Armoreada, um fontanário ornamentado com rochas marinhas e encimado por um obelisco. Por fim, suba à Torre de Menagem, conhecida localmente como castelo, e desfrute da magnífica paisagem circundante. Junto da torre foi colocada uma janela manuelina, encontrada em Vila de Frades. Se quiser explorar melhor esta região, poderá contactar o Grupo de Amigos da Serra do Mendro (GAMA), tel. 284 43 60 73.