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Subida ao Pico

Deverá levantar-se cedo, porque o dia será longo. Tome um pequeno-almoço substancial e prepare um farnel com, pelo menos, três sanduíches e uma garrafa de água de 1,5 litros por pessoa. Também convém levar umas boas botas, um agasalho, um impermeável leve e um bom protector solar.

• Dirija-se ao cais, compre os bilhetes para a Madalena (cerca de 3,75 euros por adulto, metade no caso de crianças com menos de 12 anos) e espere pela partida do barco das 07.45 h. A viagem demora cerca de meia hora, o tempo necessário para atravessar o canal, com cerca de 9 quilómetros de largura, entre as duas ilhas. À chegada ao Pico, passará junto aos Ilhéus da Madalena, considerados um óptimo local de mergulho nesta costa. Após o desembarque, apanhe um táxi e peça ao condutor que o leve ao início do trilho de subida ao Pico (cerca de 15 euros).

• Quinze minutos depois, terá por companhia outros aventureiros entusiasmados com a ideia da subida. Aí será aconselhado a requisitar os serviços de um guia profissional. Se não o fizer, terá de assinar um termo de responsabilidade, assumindo todas as consequências para a sua segurança e as eventuais despesas que as equipas de socorro tiverem de suportar, no caso de se perder ou magoar durante o percurso. Também terá de dar à equipa de bombeiros que se encontra no local uma estimativa da hora aproximada do retorno àquele local. A sua partida, assim como a de todos os presentes, ficará registada para, na volta, se saber se falta alguém. Simples e eficaz!

• O caminho é razoavelmente perceptível, graças às dezenas, ou mesmo centenas, de pés que por ali passam diariamente. Além disso, ao fim de cerca de 2 quilómetros de caminhada, a direcção está marcada por várias estacas de cimento, que constituem um óptimo ponto de referência. Finalmente, os grupos acompanhados por guias são bastante regulares, o que permite reconhecer os melhores itinerários.

• Seja como for, não vale a pena esconder: para quem não esteja habituado a estas andanças, a subida é longa e penosa! De um modo geral, leva-se 3 a 4 horas para atingir o cume do Pico e mais meia hora para subir ao Pico Pequeno. Uma boa estratégia consiste em progredir com passos curtos, numa cadência lenta e regular. Preocupe-se em controlar bem a respiração, expirando sempre até ao fim. Procure adoptar um ritmo que possa ser seguido por toda a família. O perigo é diminuto praticamente em todo o percurso. Poderá parar muitas vezes para descansar, mas as pausas devem ser breves. Um descanso muito prolongado faz com que os músculos arrefeçam, tornando a progressão ainda mais difícil.

• A vegetação é dominada por musgos e urzes rasteiras, com flores em forma de pequenas campânulas encarnadas, endémicas dos Açores (Daboecia azorica). Aqui e ali aparecem também tufos rasteiros de erva-úrsula, de pequenas flores lilases.

• Chegado ao cimo, conseguirá ver, se não houver nevoeiro, uma enorme cratera de lava nua, à beira da qual, no lado oposto ao que se encontra, se ergue o Pico Pequeno (ou Piquinho): um cone vulcânico, a 2 351 metros de altitude, cuja subida é algo cansativa, já que é preciso progredir sobre escória e pedras soltas. No interior da cratera, observe as diversas formações rochosas moldadas pelo deslizamento de lava fluida incandescente. A pensar nos visitantes mais ousados, foram construídos alguns abrigos de pedra, para quem quiser passar aí a noite e esperar a alvorada no tecto de Portugal.

• No topo do Pico Pequeno, se o tempo o permitir, poderá avistar toda a Ilha do Pico, o Faial, a Terceira e a Graciosa, meia perdida no horizonte. Experimente subir ao marco geodésico – acrescentando mais 1,5 metros à altitude recorde – e aprecie, sem pressas, a paisagem magnífica e o horizonte de nuvens abaixo da cratera. O chão está morno e, por entre as rochas do lado norte, escapam-se emanações de ar quente, com um cheiro forte a enxofre – prova de que o gigante não está morto, mas apenas adormecido…

• Para a descida, conte, no mínimo, com mais 30 a 45 minutos do que para a subida. Isto porque o piso muito inclinado e quebradiço requer um andamento lento e cuidadoso, para evitar, por exemplo, entorses.

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