Pós Verão 2013 151

Santa Luzia

Prossiga a sua viagem na direcção de Santa Luzia, onde, à entrada da povoação, se encontra uma mensagem de boas-vindas, junto a uma enorme âncora outrora utilizada nas armações para a pesca do atum – lembra-se de as ver no Museu Marítimo de Faro?
Vire na segunda via à esquerda, onde está indicado lota e praia, entrando na avenida principal, junto à ria, onde pode estacionar o carro.

• A actividade piscatória desta povoação é exclusivamente dedicada à apanha do polvo, para consumo interno e, sobretudo, para exportação. Para o efeito, utilizam-se instrumentos de pesca tradicionais, como os alcatruzes, os covos e as muregonas: – os alcatruzes, pequenos potes de barro, estão, segundo parece, em declínio, pelo seu preço elevado e escassez, uma vez que só uma olaria da região continua a fabricá-los. É uma pena, porque eram justamente as pilhas de alcatruzes à beira da avenida que davam a Santa Luzia um aspecto pitoresco único; – os covos são armadilhas de rede, agora plástica, muito mais baratos do que os alcatruzes. Apesar de feios, parece que se têm revelado, nos últimos anos, muito eficientes;
- as muregonas são armadilhas arredondadas, fabricadas com arame de aço proveniente do desfiamento dos cabos de velhas amarrações.

• Os polvos capturados são descarregados de manhã cedo e vendidos na lota, que fica mais ou menos a meio da avenida, junto ao cais. Poderá visitá-la todos os dias, por volta das 14 horas, e aos sábados, ao meio-dia.

• Durante a baixa-mar, repare nos milhares de caranguejos que patrulham o lodo, escondendo-se em tocas subterrâneas ao mínimo sinal de perigo. São os caranguejos-violinistas, assim designados porque os machos chamam incessantemente as fêmeas com uma das pinças (bocas), que é muito desenvolvida, dando a impressão de estarem a tocar violino. Na região costumam apanhá-los para lhes retirar esta pinça sobredimensionada, libertando depois o animal que, mais tarde, volta a gerar uma nova pinça. É o que poderia chamar-se a “exploração de um recurso renovável”!

• Existe um caminho à beira-ria, que vai de Santa Luzia a Pedras d’EL Rei, com cerca de 2 quilómetros. Assim, o cheiro intenso do sapal e a paisagem tranquila da ria podem ser devidamente apreciados, num longo passeio ao entardecer. Existem bancos ao longo de todo o percurso e candeeiros de iluminação pública. No final do caminho, já junto ao aldeamento turístico de Pedras d’EL Rei, poderá atravessar a pé uma pequena ponte que o levará até ao Barril. Do lado de lá existe um minicomboio, para os que não quiserem caminhar mais um quilómetro até à praia.

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