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Regresso a Vila Nova de Foz Côa

Retomando o caminho para Vila Nova de Foz Côa, encontrará, pouco depois, a indicação, à esquerda, de Capela de São Gabriel. Seguindo por essa estrada, chegará a um morro de onde se desfruta uma óptima vista dos arredores e da aldeia de Castelo Melhor. Trata-se de um desvio de cerca de 500 metros.
Depois, empreenda finalmente o regresso a Foz Côa, continuando pela EN 222 e percorrendo a paisagem serrana, onde se avistam, aqui e ali, casas de xisto nos morros perdidos na imensidão de montes e vales. Aproveite alguns miradouros para apreciar bem a paisagem, sobretudo quando entrar no Vale do Douro, com as encostas escadeadas em socalcos ornamentados de vinhas. No Outono, os vales revestem-se de tons avermelhados, graças às folhas das videiras, que terminam mais um ciclo vegetativo.

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Freixo de Espada à Cinta

Finalmente, dirija-se para Freixo de Espada à Cinta, onde existem diversas casas de portada e fachada manuelina. Nesta localidade nasceu Jorge Álvares, navegador, companheiro de viagens de Fernão Mendes Pinto e primeiro cronista do Japão. Outro ilustre filho da terra foi Guerra Junqueiro, aqui recordado por uma estátua e uma casa-museu. Vá até à bonita Igreja Matriz (um monumento todo em pedra, de origem medieval, mas modificado no séc. XVI), de fachada manuelina. Um pouco acima está o ex libris da vila – a Torre do Galo (séc. XIII), um torreão de formato heptagonal que fazia parte da antiga muralha da vila.

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Felgueiras

Depois, tome a direcção de Freixo de Espada à Cinta, passando por Felgueiras. Nesta bonita aldeia, experimente fazer um passeio pelas ruelas estreitas, que lhe permitirá apreciar o casario antigo, com varandas típicas da região.

• Junto à fonte, depois de passar o lavadouro, existe um interessante edifício, ligado à prática da apicultura: um Lagar de Cera comunitário. Fica situado numa casa baixa, de aspecto tradicional. A entrada é livre: basta abrir a porta, rodando um pequeno fecho de madeira. Depois de habituar os olhos à penumbra, verá um casebre de paredes enegrecidas pelo fumo, com um enorme fuso ao centro provido de um monólito cilíndrico em baixo, fazendo contrapeso. Em cima, uma sólida trave de carvalho, onde o fuso se enrosca, serve para comprimir a cera fundida, que depois escorre para umas bacias escavadas no granito.

• Se não perceber como tudo aquilo funciona, experimente bater à porta de uma das casas da vizinhança. A não ser que esteja em maré de azar, acabará por aparecer um dos habitantes da terra que, pacientemente, lhe explicará tudo ao pormenor. No final, ainda corre o risco de ser convidado a provar um delicioso vinho caseiro, perfeitamente irresistível!…

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Castelo Rodrigo

Antes de sair de Figueira, não deixe de prestar atenção ao bonito artesanato de latoaria. No Largo do Município, também poderá visitar a Adega Cooperativa de Castelo Rodrigo (contacto: 271 31 21 61) e adquirir alguns vinhos desta região. Depois, faça um pequeno desvio, para visitar Castelo Rodrigo, que fica a apenas 3 quilómetros.

• Esta aldeia histórica fica situada numa colina, a cerca de 800 metros de altitude. Aí vivem pouco mais de 200 pessoas, em 80 habitações distribuídas por ruelas estreitas e íngremes. Ainda são visíveis extensos panos de muralhas, com três portas: Porta do Sol, Porta da Alverca e Porta da Traição. Só uma torre está intacta, pois a fúria da população, por ocasião das lutas para a Restauração da Independência, fez alguns estragos.

• Experimente fazer um longo passeio pelas ruas da aldeia, prestando atenção aos inúmeros e interessantes pormenores arquitectónicos. Visite as ruínas do Palácio de Cristóvão Moura e aprecie a paisagem em redor. Próximo, na Torre do Relógio, existe um curioso relógio, movido com pesos. Se tiver oportunidade de passar por aqui entre Fevereiro e Março, terá o prazer de observar uma paisagem repleta de amendoeiras floridas que, nesta região, são plantadas em muito maior quantidade do que no Algarve.

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Igreja Matriz

O interior deste templo, dedicado a São Francisco, é de grande riqueza artística. O espaço do coro, que está assente num arco abatido, é um dos melhores exemplares do género no nosso país. No altar-mor, vêem-se quatro pares de colunas salomónicas (colunas lavradas em espiral, de tipo idêntico às que se encontravam no Templo de Salomão), servindo de moldura à tribuna onde se encontra a imagem de São Vicente, o padroeiro da freguesia. A cúpula redonda no cimo da torre da igreja serve de suporte a um enorme ninho de cegonha. Esta cegonha é a já famosa Joana – um verdadeiro símbolo desta vila, que, por essa razão, também é conhecida por Vila Branca ou Terra da Cegonha.
Junto a uma das portas laterais da igreja, repare também numa curiosa figueira que cresceu anichada num recanto, ajudando a compor, de forma bastante harmoniosa, este portal.