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Faia da Pedra Amarela

Continue a pé pela estrada da direita, atravessando o ribeiro (normalmente, pouco profundo nesta zona) e seguindo em frente até ao fim do caminho. Depois, desça a encosta, contornando-a sempre para a esquerda. Vá com atenção, porque existem algumas setas brancas, pintadas sobre pedras bem visíveis, que indicam o melhor itinerário.

• No final, encontrará uma queda d’água, com várias dezenas de metros de altura, por onde o rio se precipita com violência, continuando o seu leito lá em baixo, por entre altas paredes de rocha. Localmente, chamam faia a uma queda d’água – daí o seu nome. Pedra Amarela refere-se à coloração dos líquenes que, como poderá ver, crescem um pouco por toda a parede rochosa. Apesar das dificuldades do trajecto (facilmente superáveis para quem esteja habituado a caminhadas na Natureza), o local é realmente muito bonito e merece bem o esforço. A extensão do percurso é de, aproximadamente, 2 quilómetros.

• Os mais afoitos, e que se encontrem em boas condições físicas, poderão continuar o percurso assinalado pelas setas, que passa por baixo da cascata e chega a um local denominado Poço do Pêro Negro.
Segundo reza a tradição, nas manhãs de São João, antes de nascer o Sol, viam-se, no fundo das águas escuras, teares a fiar ouro!
Trata-se de um percurso relativamente perigoso, que desaconselhamos a quem esteja acompanhado por crianças pequenas e não esteja habituado a estas “andanças”.

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Miranda do Douro

Antes de deixar a Freixiosa, a caminho de Miranda, não se esqueça de dar uma última vista de olhos às suas casas de traça tradicional, que, infelizmente, estão a ser rapidamente substituídas por edificações modernas, muitas delas francamente mal integradas.

• A antiga Seponcia romana e Mir-Andul árabe olha de perto o Douro e as terras de Espanha. Foi justamente por causa da sua posição geográfica privilegiada que se tornou palco de muitos confrontos com Castela. Por outro lado, o seu isolamento e proximidade com as aldeias do antigo Reino de Leão justificam a persistência de um dialecto local, o mirandês, directamente derivado do leonês antigo. Actualmente, mais de 15 000 pessoas falam o mirandês, o que justificou a sua ratificação como segunda língua oficial portuguesa (veja também a caixa Não é o português a única língua usada em Portugal).

• Não deixe de dar um demorado passeio a pé pelas ruas tranquilas do bem conservado centro histórico de Miranda. Na Rua da Costanilha, aprecie as bonitas construções quatrocentistas, cujas fachadas estão decoradas com elementos do estilo manuelino e figuras zoomórficas (com a forma de animais). Na Sé Catedral, não se esqueça de admirar durante alguns instantes o célebre Menino Jesus da Cartolinha, completamente vestido e com a sua característica cartola na cabeça.
Não muito longe, no Miradouro da Sé, desfruta-se de uma vista lindíssima sobre o Douro e a Barragem de Miranda. Nos rochedos em frente existem grafitti naturais, formados por líquenes amarelos, que são famosos por parecerem desenhar o contorno perfeito do algarismo 2. Não é fácil descortiná-lo, mas garantimos que está lá!

• Ali perto, também vale a pena ver as arcadas das ruínas do Paço Episcopal, junto a um agradável jardim onde abundam enormes cedros. Finalmente, visite as ruínas do castelo e das muralhas, de onde se pode observar a parte nova da cidade.

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A caminho de Miranda

Continuando caminho e passando pela Bemposta, experimente descer até à barragem com o mesmo nome, parando eventualmente nos vários miradouros, para apreciar a paisagem. Um pouco antes de chegar à barragem, vire à direita, num caminho de terra batida que dá acesso à margem do rio e a recantos fluviais muito agradáveis.
Uma tabuleta recomenda prudência, sobretudo no Inverno, em utilizar as zonas mais próximas da barragem, em virtude de poderem ocorrer subidas repentinas do nível da água, provocadas por descargas.

• Regressando agora à EN 221, que o levará a Miranda do Douro, siga até Sendim, onde poderá visitar uma bonita igreja medieval e casario típico desta região. Ali perto, a cerca de 3 quilómetros, também existe um miradouro (Seixagal).
Continuando na direcção de Miranda, vire pouco depois, à direita, para visitar a vila de Picote. Repare no “berrão” sobre o pedestal que se encontra em frente da Igreja Românica de Santo Cristo. Desviado a cerca de um quilómetro para sul, encontrará o Miradouro da Fraga da Puia, de onde se vislumbra uma magnífica perspectiva da profunda garganta por onde o Douro corre, preguiçoso. Também poderá descer à Barragem do Picote, que se encontra bem encaixada entre as falésias abruptas. É justamente nestas fragas escarpadas que nidifica a maior comunidade de grifos do nosso País.

• Siga agora para a Freixiosa, apreciando a bonita paisagem de ambos os lados da estrada. Repare nos muros de pedra típicos desta região, formando um padrão alternado de grandes lajes verticais e pequenas pedras sobrepostas. Ao passar por Vila Chã de Braciosa, repare no elegante campanário da sua igreja medieval. E, ali próximo, mesmo ao lado da estrada, estão expostas as mós de um lagar.

• Na Freixiosa, passe diante da igreja e continue sempre a descer em direcção ao rio, tomando o caminho da direita. Depois, quando o caminho começa a passar entre muros de pedra de propriedades, vire à esquerda e estacione onde puder, porque o objectivo já não fica longe e o piso torna-se cada vez mais irregular e incomportável para veículos que não sejam de todo-o-terreno. Quando surgir, do lado esquerdo, um cabeço rochoso onde se vislumbra um corrimão de ferro, é sinal de que chegou a um dos mais bonitos miradouros da região. O que significa que, do alto de umas enormes pedras que se encontram no local poderá contemplar mais um trecho deste lindíssimo rio. Do lado espanhol, a falésia apresenta enormes maciços rochosos, com várias dezenas de metros de altura.
Para desfrutar dos melhores pontos de vista, há quem desça até aos penedos mais sobranceiros ao abismo. Evite tais ousadias, pois essa operação pode revelar-se perigosa. E nem será preciso dizer que é totalmente desaconselhável para quem não esteja em boa forma física ou sofra de vertigens!

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Mogadouro

Se viaja com crianças, sugerimos que as deixe gastar as energias matinais, brincando à vontade, durante algum tempo, no jardim que se encontra nas traseiras do edifício do tribunal. Depois, siga a pé até à parte alta da vila, passando pela Igreja Matriz e por um singelo pelourinho.

Lá em cima, encontrará as ruínas do Castelo Templário e uma Torre Sineira. Desfrutará também de uma excelente panorâmica dos arredores, sobretudo se os campos e o casario forem iluminados pelos primeiros raios do Sol nascente. Os vales, mais frescos, aparecem então repletos de nuvens baixas, como que coladas ao chão, assemelhando-se a rios de algodão.

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De regresso ao Mogadouro

Siga caminho na direcção de Algoso, através de bosques cerrados de choupos, freixos e carvalhos. Passando a simpática aldeia de Uva, encontrará um rio inserido numa paisagem lindíssima. Perto da ponte, do lado direito da estrada, existe um atractivo parque de merendas, muito bem equipado com mesas, bancos e assadores, tudo à beira-rio. Depois da ponte, há um caminho que permite percorrer a margem direita para jusante. Um bom local para um passeio de descontracção…

• Seguindo viagem através de uma paisagem de xisto coberto de esteval, que faz lembrar, no aspecto e no cheiro, o barrocal algarvio, repare, quando passar por Vale de Algoso, nas casas de pedra tradicionais que, aqui, são bastante grandes, por vezes com vários andares.

• Em Algoso, não deixe de subir ao castelo, construído sobre um maciço rochoso com 681 metros de altura, para apreciar a magnífica paisagem que daí se desfruta. Lá em baixo, verá o Rio Angueira, com a sua bonita ponte medieval.

• Continuando na EN 219 em direcção ao Mogadouro, ainda vale a pena fazer um desvio, de cerca de 2 quilómetros, para visitar o Castelo de Penas Roias, também incrustado num escarpado cabeço rochoso. A aldeia também merece algum do seu tempo.

• Finalmente, chegado ao Mogadouro, não deixe, se ainda tiver oportunidade, de fazer uma visita ao Miradouro do Santuário de São Cristóvão.