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A caminho do Soajo

Saia de Arcos de Valdevez, tomando a direcção Soajo, Mezio e Parque Nacional da Peneda-Gerês.
• Passados dois ou três quilómetros, já perto de Giela, encontrará, a determinada altura, um alargamento do lado direito da estrada, onde vem desembocar um estreito caminho empedrado. Estacione aí o carro e suba, a pé, até uma torre que aparece destacada lá em cima. Trata-se do Paço da Giela, constituído por uma torre medieval e um edifício residencial, mais recente, de janelas manuelinas. Em 1662, a artilharia portuguesa terá causado danos sérios no imóvel, ao expulsar o general espanhol Pantoja, ainda no âmbito das lutas pela Independência. Abandonado desde meados do século XIX, o monumento foi adquirido em 1999 pela autarquia local, mas ainda não está restaurado. Porém, não deixa de valer uma visita, até porque a paisagem em redor é muito agradável.
• Depois, continuando em direcção a Cabana Maior e Mezio, passará perto de Grade, onde também poderá visitar a Torre de Grade ou de Faro. Tal como a de Giela, constitui um bom exemplo de “casa-torre” medieval, composta por uma torre quadrada de três pisos e uma ala residencial, edificada num período posterior. Voltando à estrada, passará, um pouco adiante, por um miradouro que se encontra do lado esquerdo da estrada e de onde poderá apreciar a magnífica paisagem serrana, com as típicas culturas em socalcos.

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A caminho da Peneda

Regresse à estrada de onde tomou o desvio para descer ao Soajo e siga na direcção de Roucas e Peneda, através de uma estrada de montanha envolvida por uma paisagem lindíssima. Repare nos inúmeros regatos, no gado que se encontra a pastar e nos garranos que, por vezes, vêm até muito perto da estrada. Se passar por aqui na Primavera, mesmo que seja numa época já tardia, poderá ver os campos todos vestidos do amarelo das flores da giesta-das-vassouras. Aqui e ali, uma moita de urze avermelhada ou de rosmaninho azulado confere à paisagem uma agradável policromia, completada pela folhagem verde dos carvalhos e do resto do mato. Abra bem as janelas do carro e aproveite para inspirar os diversos aromas que pairam no ar!

• Quando começar a ver, ao longe, uma enorme falésia de rocha esverdeada, repare num cabeço mais próximo, que se encontra do lado direito da estrada. Aí, junto a umas tuias (árvores com o aspecto de ciprestes grandes), costuma pastar uma manada de garranos. Estacione o carro na curva junto à tabuleta da Freguesia da Gavieira e desça pelo trilho que aí se encontra até ao cabeço que referimos. Mesmo que os garranos não estejam lá, terá o privilégio de vislumbrar um dos panoramas mais grandiosos do Parque Nacional. Ao longe, vê-se uma igreja sobressaindo sobre o casario: é o Santuário de Nossa Senhora da Peneda, por onde passaremos mais tarde.

• Chegado a Roucas, propomos um pequeno desvio de cerca de 10 quilómetros ao percurso principal. Vire à esquerda, passe Gavieira e São Bento do Cando e, depois de um pinhal, vire novamente à esquerda, em frente do campo de futebol. Siga por essa estradinha de terra batida enquanto achar que o piso permite a passagem do carro. Depois estacione e continue a pé. Vá sempre em frente, pelo lado esquerdo. De repente, aparecerá, quase “por magia”, no meio da charneca, um pequeno lago formado pela retenção das águas de uma barragem. Durante os meses quentes, a água fica a uma temperatura ideal para dar um mergulho. Ao mesmo tempo, poderá aproveitar para apreciar a paisagem, que é magnífica. Se preferir, também pode recostar-se no canal de descarga do açude onde corre um pequeno riacho por uma levada, ideal para uma “hidromassagem” um pouco mais sofisticada…

• Se, de repente, se vir cercado por uma manada de vacas com grandes chifres (de raça cachena), não se assuste. É muito possível que esteja a tomar banho no seu bebedouro, mas, depois de saciarem a sede, os animais seguirão o seu caminho. O gado das freguesias dos arredores é mantido nestes pastos de altitude durante o período estival, sendo a sua vigilância assegurada por pastores das diversas aldeias, que se vão revezando.
Esta forma comunitária de olhar pelo gado já se pratica nesta região há vários séculos, tal como acontece com os rebanhos de ovelhas e cabras na Serra da Estrela.
Mais aborrecida poderá ser a eventual passagem de um helicóptero a baixa altitude, uma vez que este é um dos corpos de água da região onde o serviço de combate aéreo aos incêndios florestais vem abastecer-se em caso de necessidade.

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Ponte da Barca

Siga para Ponte da Barca, fazendo ainda, eventualmente, um pequeno desvio de alguns quilómetros à esquerda, para apreciar a paisagem do alto do Miradouro de Santa Rita.

• Em Ponte da Barca, visite primeiro a parte velha da vila. No Largo dos Heróis da Grande Guerra, aprecie a Igreja Matriz (séc. XVIII), dedicada a São João Baptista, e os Paços do Concelho. Depois, tome a direcção do Rio Lima e, junto ao Jardim dos Poetas, detenha-se no antigo mercado setecentista, em frente ao qual se encontra o pelourinho. Finalmente, recomendamos uma incursão à zona ribeirinha a jusante da ponte medieval (séc. XVI), mandada construir no reinado de D. Manuel. Encontrará um parque muito bem arranjado, junto a uma praia fluvial onde, mesmo sem tomar banho, apetece descansar sob o arvoredo.

• De regresso a Arcos de Valdevez, aproveite, se a noite estiver amena, para mais um passeio pela parte velha da vila ou, então, junto ao rio, refazendo o circuito entre as pontes.

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A caminho de Ponte da Barca

Saia de Lindoso tomando a estrada para Ponte da Barca.

• A primeira povoação por onde vai passar é Parada, que não dispõe de tabuleta indicativa. Ao chegar a uma ponte de construção recente, vire à esquerda no caminho de acesso à ponte velha que se encontra ao lado. Estacione junto à Fonte da Rendeira e siga, a pé, por um carreiro que começa perto da ponte velha e vai até uma praia fluvial. Existe uma queda d’água que enche um açude que se encontra encaixado no meio da falésia e que, antigamente, alimentava um moinho através de uma levada em pedra trabalhada, ainda hoje bem conservados. O local está bem arranjado e limpo e constitui um ponto de paragem que aconselhamos sem reservas.

• A seguir a Paradamonte, vire à esquerda na direcção de Entre Ambos-os-Rios. Aqui, a estrada segue ao longo do rio. Chegando a Entre Ambos-os-Rios, vire à esquerda, na direcção de Froufe e Ermida.
Froufe é uma aldeia que, por si só, merece uma visita, sobretudo a parte antiga, com as suas casinhas de pedra. Mas é aí que se encontram também os últimos e muito raros canastros, uns espigueiros cilíndricos que fazem lembrar pequenas cubatas africanas.

• Voltando a Entre Ambos-os-Rios, valerá a pena, se tiver oportunidade, fazer uma visita ao Núcleo Museológico de São Miguel, um pequeno museu etnográfico onde se encontram expostos inúmeros objectos interessantes de uso quotidiano. Chamamos a sua atenção, sobretudo, para as peças de vestuário.

Horário: das 10.00 h às 12.30 h e das 14.00 h às 18.00 h
Preço: gratuito.

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Lindoso

Continue o caminho na direcção de Lindoso, que fica a poucos quilómetros da barragem. Chegando à povoação, procure as indicações Castelo e Espigueiros.

• O castelo terá sido fundado no tempo de D. Afonso III (séc. XIII) e posteriormente ampliado por D. Dinis (sendo atribuída a este rei a iniciativa de construção da Torre de Menagem). Durante as guerras da Restauração, tal como outras fortalezas da região, o Castelo do Lindoso teve um papel de extrema importância.

• Perto do castelo, encontra-se o Campo dos Espigueiros, onde existem diversos exemplares destes antigos “armazéns”, todos construídos em granito e com traça tradicional da região. O chão onde os espigueiros assentam é constituído por um enorme afloramento granítico liso, que forma, tal como acontece no Soajo, a eira comunitária.