É sabido que a Região da Madeira tem o condão de transmitir aos visitantes uma sensação de grande calma e tranquilidade. Isso deve-se tanto ao seu clima suave e ameno como à grande abundância de zonas verdes – convém não esquecer que uma parte substancial do arquipélago é considerada Área Protegida. Não espanta, por isso, que a Madeira seja vista, por muitos, como um enorme jardim em pleno oceano.

• Na realidade, trata-se de uma região que exala encanto e exotismo por todos os poros. Não terá sido certamente por acaso que a Madeira se tornou um destino de eleição logo após a sua descoberta, no princípio do século XV, e que, com o tempo, se tenha transformado numa das primeiras estâncias turísticas da Europa. As suas quatro ilhas – Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens (estas últimas inabitáveis) – sempre se mostraram propensas a suscitar as mais diversas emoções. Por isso, foram muitos os que, ao longo dos anos, se sentiram atraídos por elas – e alguns foram ficando indefinidamente.

• Em suma, a Madeira apresenta-se, essencialmente, como uma região de uniões harmoniosas: Homem e Natureza, progresso e tradição, cidade e campo, todos convergem num único sentido. Nestas pérolas atlânticas, os diferentes mundos não se opõem, antes contribuem para embelezar e tornar ainda mais interessante o arquipélago, convocando o visitante para agradáveis passeios exploratórios, onde os aromas marítimos estão sempre presentes.

Câmara de Lobos

À saída do Funchal, tome a direcção de Câmara de Lobos, seguindo sempre pela estrada que acompanha a costa. Pelo caminho, não deixe de reparar nas encostas repletas de plantações de bananeiras. Antes da descida para a povoação, existe um miradouro à esquerda – o Pico da Torre – de onde poderá apreciar uma excelente panorâmica até ao Cabo Girão.

• Logo à entrada da cidade, encontrará uma rotunda com um grande coreto ao centro e, sobranceiro ao porto, um óptimo jardim-miradouro. Se aprecia o contacto com as gentes das regiões por onde passa, aproveite, pois é aqui que costumam concentrar-se antigos pescadores, contando histórias bastante interessantes sobre a pesca do espadarte.

• O cronista Gaspar Frutuoso relata que, no ano de 1419, quando Zarco e os companheiros chegaram a esta baía, encontraram-na repleta de lobos-marinhos – daí o nome que chegou aos nossos dias. Escusado será dizer que a tripulação iniciou, nesse preciso momento, a chacina dos simpáticos mamíferos. Actualmente, apenas podem ser avistados, mas muito raramente, na Reserva Natural das Ilhas Desertas. Mais simpática parece ser a memória dos agradáveis dias que Sir Winston Churchill passou nesta pequena cidade, passando para a tela o pitoresco porto de pesca.

Morenos

Vire para oeste e, passando pelo Cabeço das Flores, siga em direcção à Ponta da Canaveira e Morenos. Existem aqui vários retiros, com chapéus de sol feitos de colmo, mesas e bancos, água corrente e um local para aquecer a comida. Um funcionário fornece lenha para o grelhador, trata do jardim e mantém o local limpo. Poderá assim tomar uma refeição ligeira e, ao mesmo tempo, apreciar a paisagem.

• A partir daqui pode fazer um passeio a pé até à Ponta da Canaveira, a cerca de um quilómetro de distância. Foi recentemente plantado na encosta ocidental um pinhal que cresce com dificuldade no chão seco, sempre fustigado pela nortada e pela maresia. Do lado direito do caminho, poderá observar uma encosta repleta de cactos (piteiras) de bom porte, que faz lembrar alguns locais do deserto mexicano. Se tiverem frutos, não deixe de provar os deliciosos figos-de-piteira. Com cuidado, por causa dos tufos de picos finos como cabelos, apalpe-os ao de leve, para escolher os mais moles e maduros. Depois arranque-os, protegendo a mão, por exemplo, com um papel e, agarrando-os cuidadosamente pelo pé curto, descasque-os completamente. Coma com moderação, porque, em excesso, estes frutos podem provocar distúrbios intestinais, como acontece frequentemente com outro tipo de fruta.

• No miradouro da Ponta da Canaveira poderá apreciar a paisagem típica da costa norte, de falésias altas, rochas escuras e mar forte. Em frente, fica o Ilhéu do Ferro com o seu farol de funcionamento automático.

São Vicente

Siga para norte, em direcção a Serra de Água e São Vicente, por um dos caminhos mais bonitos da Madeira. É uma estrada de montanha, muito sinuosa, mas de bom piso, que o levará pelas encostas de um vale escarpado lindíssimo, onde o branco das nuvens e o verde da vegetação se misturam. Existem diversos miradouros, muitos deles equipados com bancos e mesas, a partir dos quais poderá apreciar calmamente e sem perigo estas paisagens notáveis. No Alto da Encumeada, a 1 007 metros de altitude, terá uma boa perspectiva das encostas, sulcadas por terraços de cultivo verdejantes e salpicadas de casinhas. Depois, iniciará a descida para São Vicente, através de um cenário que se vai alterando progressivamente, dominado por uma floresta cada vez mais cerrada e com fios de água que escorrem das encostas talhadas a pique até ao nível da estrada.

Fonte da Areia

Siga em direcção à Fonte da Areia, passando pela Camacha. A última secção da estrada, antes de chegar ao miradouro, está ladeada por altas falésias de arenito branco, moldado de forma rendilhada pela força erosiva do vento. Toda a falésia desta região apresenta as mesmas formações.

A fonte está inserida num pequeno parque equipado com bancos, mesas e um local para foguear. A água é fresca, mas muito dura (rica em calcário). A paisagem é excelente, com o Ilhéu da Fonte da Areia em frente. Pelo lado direito do parque, terá acesso a uma vereda protegida por um varandim de urzes, que permite descer até à praia.

Museu do Bordado

Saindo do mercado, suba um pouco para norte a Rua Visconde de Anadia, no fim da qual se encontra o núcleo museológico do Instituto do Bordado, Tapeçaria e Artesanato da Madeira. O museu merece bem uma visita, nem que seja apenas para contemplar a enorme tapeçaria, denominada Alegoria da Madeira, que decora o hall de entrada. O seu fabrico ocupou catorze raparigas durante 3 anos e tem cerca de sete milhões de nós!

Encontram-se expostos diversos utensílios usados ao longo dos tempos pelas bordadeiras madeirenses, para além de alguns exemplares que permitem perceber como a técnica do bordado madeirense se foi distinguindo progressivamente do bordado inglês, sobretudo pela esmerada execução e tecnicismo, visível nos pontos de cordão. Todo o museu procura recriar o ambiente de uma casa madeirense do período romântico, possuindo também diversas peças de mobiliário de estilo inglês.

Local: Rua do Visconde de Anadia, n.° 44.
Contacto: 291 22 31 41.
Horário: das 10.00 h às 12.30 h e das 14.00 h às 17.30 h. Encerra ao fim-de-semana e dias feriados.