Dividida por esse vasto caudal de água que dá pelo nome de Rio Tejo, a Região de Lisboa e Vale do Tejo tem certamente muito para oferecer, seja na margem direita, travada pelo oceano, seja na margem esquerda, onde já se sente a proximidade da província alentejana. A influência deste grandioso rio – o maior que atravessa o nosso país – faz-se notar não só nos campos, lezírias, vales e planícies, mas também nas cidades e gentes, que desde sempre procuraram tirar o melhor partido da enorme abundância que o seu leito proporciona.

• Nesta região, como não poderia deixar de ser, Lisboa, a “cidade das sete colinas”, atrairá uma boa parte das atenções. Mas, como poderá constatar, existem muitos outros pontos de interesse nestas paragens, que nada ficam a dever aos da cosmopolita capital. Com efeito, os atractivos são mais que muitos, seja qual for a direcção em que se desloque. As páginas seguintes mostram que, nesta região, não faltam locais dignos da sua visita, alguns deles ainda relativamente desconhecidos. A verdade é que, além dos pontos emblemáticos do nosso país, como o Mosteiro de Alcobaça, o Convento de Mafra ou o Santuário de Fátima, entre tantos outros, existem ainda, no perímetro de Lisboa e Vale do Tejo, autênticas “pérolas” à espera de serem descobertas.

• Estas preciosidades (as muito e as pouco conhecidas) surgem, pelo menos aos nossos olhos, como perfeitamente capazes de lhe proporcionar muitos momentos agradáveis. Os percursos que se seguem foram seleccionados com essa intenção e esperamos ainda que lhe sugiram um bom número de apetecíveis alternativas.

Lisboa

Continuando pela mesma estrada, chegará, pouco depois, à famosa Praça do Império, onde se encontram vários museus e monumentos interessantes: o Centro Cultural de Belém, o Museu da Marinha, o Planetário, o Museu Nacional de Arqueologia e o Mosteiro dos Jerónimos, bem como, não muito longe, a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos. Dada a necessidade de optar, sugerimos aqui a visita ao Museu da Marinha, que possui uma excelente colecção de miniaturas navais de todas as épocas. Aí encontrará também o hidroavião Santa Cruz, utilizado por Sacadura Cabral e Gago Coutinho na primeira travessia aérea do Atlântico Sul.

Local: Praça do Império.
Contacto: 213 62 00 19.
Horário: de 1 de Outubro a 31 de Maio, das 10.00 h às 17.00 h; de 1 de Junho a 30 de Setembro, das 10.00 h às 18.00 h. Encerra à segunda e feriados.

• Depois, seguindo sempre para leste, no passeio fronteiro aos Jerónimos, atravesse o largo e, já na Rua de Belém, não deixe de provar os deliciosos Pastéis de Belém na pastelaria com o mesmo nome. Trata-se de uma receita conventual, secreta, que torna estes pastéis de nata únicos no mundo. Enquanto saboreia os pastéis, polvilhados de açúcar e canela, aproveite para reparar no mobiliário antigo da pastelaria, que foi mantido pelos proprietários.

• A seguir, continuando na Avenida da índia em direcção ao centro de Lisboa, vire à direita em Alcântara, passando por cima do viaduto, e acabe a noite à beira-rio, nas Docas. Aqui, antigos edifícios que funcionavam como armazéns de apoio às docas foram recuperados e transformados em restaurantes, bares e discotecas. Boas esplanadas viradas para o Tejo transformam o local num agradável ponto de lazer da capital, sobretudo nas noites quentes de Verão.

Rio Maior

Comece a manhã com um passeio pelo Jardim Municipal, um óptimo espaço verde que fica no centro da cidade. O recinto está bem cuidado e, em alguns recantos, apresenta mesmo uma vegetação que poderíamos apelidar luxuriante. Possui diversos arruamentos, onde as crianças poderão dar agradáveis passeios de bicicleta. A esplanada do bar que aí se encontra também poderá ser uma boa opção para alguns momentos de descontracção dos adultos, enquanto os mais novos se divertem no parque infantil, que fica mesmo ao lado (só para menores de 10 anos). Existe também um bom ringue de patinagem e um recanto com muita sombra e um pequeno parque de merendas, ideal para quem gosta de piqueniques ao ar livre. Depois, seguindo a indicação Cemitério, passará em frente ao Mercado Municipal, onde se vende um pouco de tudo o que é produzido na região. A seguir, continue para a Igreja da Misericórdia, integrada no centro histórico da cidade. Aconselhamo-lo a fazer essa parte do trajecto a pé.

Regresso às Caldas da Rainha

Finalmente, regresse às Caldas da Rainha, passando novamente perto de Óbidos. Se tiver ficado com a sensação de que nem tudo ficou bem visto, ainda poderá fazer uma última visita a esta vila; caso contrário, aproveite para voltar ao Parque D. Carlos I, onde poderá terminar o dia, ou para dar um passeio nocturno pelo centro histórico da cidade, já liberto, a essas horas, da azáfama quotidiana.

Marrazes

Saia da cidade em direcção à Figueira da Foz e volte à direita, pouco depois, quando vir indicado Marrazes. Chegado a esta vila, faça uma visita ao Museu Escolar. Este singular museu teve origem num projecto pedagógico elaborado por professores do Ensino Básico. A mostra principal está dividida por oito salas, dedicadas a outros tantos temas, e há um espaço dedicado a exposições temporárias. Trata-se de uma visita extremamente educativa para as crianças e que trará, inevitavelmente, boas recordações aos pais.

Local: Largo da Feira, 18.
Contacto: 244 81 27 01.
Horário: sexta, sábado e domingo, das 14.00 h às 18.00 h; terça e quinta, só com marcação prévia. Encerra à segunda e quarta.
Preço: gratuito.

Marinhas do Sal

Pegue no carro e saia de Rio Maior pela Avenida Paulo VI. Cedo encontrará a indicação Marinhas do Sal, que distam apenas uns 3 quilómetros do centro da cidade. Chegando ao local, observe como as salinas estão divididas em vários compartimentos, a que se dá o nome de talhos. Repare, junto ao poço, nas picotas, que serviam para extrair a água, e no pormenor das fechaduras de madeira das casas, já que esse era, praticamente, o único material imune ao poder corrosivo do sal. O simples facto de se tratar de uma salina no meio da serra valeria, por si só, a visita. Sugerimos que saia do carro, aprecie tudo com atenção e, se tiver oportunidade, pergunte tudo o que quiser saber ao Sr. João Martins Dias, um homem com mais de 80 anos que trabalhou nas salinas toda a vida e é, hoje, quem mais se preocupa com o destino desta pequena maravilha.