Dividida por esse vasto caudal de água que dá pelo nome de Rio Tejo, a Região de Lisboa e Vale do Tejo tem certamente muito para oferecer, seja na margem direita, travada pelo oceano, seja na margem esquerda, onde já se sente a proximidade da província alentejana. A influência deste grandioso rio – o maior que atravessa o nosso país – faz-se notar não só nos campos, lezírias, vales e planícies, mas também nas cidades e gentes, que desde sempre procuraram tirar o melhor partido da enorme abundância que o seu leito proporciona.

• Nesta região, como não poderia deixar de ser, Lisboa, a “cidade das sete colinas”, atrairá uma boa parte das atenções. Mas, como poderá constatar, existem muitos outros pontos de interesse nestas paragens, que nada ficam a dever aos da cosmopolita capital. Com efeito, os atractivos são mais que muitos, seja qual for a direcção em que se desloque. As páginas seguintes mostram que, nesta região, não faltam locais dignos da sua visita, alguns deles ainda relativamente desconhecidos. A verdade é que, além dos pontos emblemáticos do nosso país, como o Mosteiro de Alcobaça, o Convento de Mafra ou o Santuário de Fátima, entre tantos outros, existem ainda, no perímetro de Lisboa e Vale do Tejo, autênticas “pérolas” à espera de serem descobertas.

• Estas preciosidades (as muito e as pouco conhecidas) surgem, pelo menos aos nossos olhos, como perfeitamente capazes de lhe proporcionar muitos momentos agradáveis. Os percursos que se seguem foram seleccionados com essa intenção e esperamos ainda que lhe sugiram um bom número de apetecíveis alternativas.

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Torre das Cabaças

Também chamada Torre do Relógio, foi construída no século XIV e esteve, até há bem pouco tempo, num estado de ruína considerável, tendo sido colocada a hipótese da sua demolição devido ao risco que constituía para os transeuntes. Felizmente, acabou por ser recuperada, funcionando, actualmente, como Museu do Tempo. Como o nome indica, aqui poderá apreciar uma curiosa exposição ligada às várias vertentes do tempo, desde os aspectos mais filosóficos até aos da sua medição. No entanto, para visitar este espaço, terá de se dirigir primeiro ao museu de arqueologia.

Local: Largo Zeferino Sarmento.
Contacto: 243 30 44 00.
Horário: terça, quarta, sábado e domingo, das 09.30 h às 12.30 h e das 14.00 h às 17.30 h; quinta e sexta, das 10.00 h às 12.30 h e das 14.00 h às 17.30 h. Encerra à segunda.

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Cabo Espichel

Prossiga o percurso, saindo de Sesimbra para Santana e virando novamente à esquerda onde está a indicação Castelo. Logo no primeiro cruzamento, vire à direita, na direcção do Cabo Espichel. A estrada é boa e atravessa uma paisagem ampla de matagal baixo e campos cultivados. Quando sair de Azóia, passe umas casas velhas que se encontram do lado direito da estrada e vire na primeira à direita, a seguir a uma paragem de camionetas. Siga por essa estrada de terra batida, até onde achar que o seu automóvel pode passar em segurança, e depois prossiga a pé. Encontrará um fabuloso miradouro sobre a falésia, de onde se avista toda a costa oeste, até à Serra de Sintra. Com muito cuidado, tente encontrar um acesso para descer até ao mar. Mas nem pense em tomar banho, porque o local é muito perigoso para isso. Pelo contrário, se gosta de pescar, saiba que esta costa rochosa, de mar normalmente forte, é ideal para apanhar pequenos robalos ou sargos. Vários carreiros permitem explorar a pé outras zonas da arriba. Regressando à estrada, chegará, dentro de pouco tempo, ao Cabo Espichel. Depois de uma visita ao Santuário de Nossa Senhora do Cabo, vá até à extremidade do promontório e aprecie, mais uma vez, o fantástico panorama. A falésia, com mais de 100 metros de altura, é formada por lajes inclinadas, onde é possível encontrar-se muitos fósseis. Mas é preciso ter muito cuidado com as crianças, porque, aqui, qualquer acidente poderá ter um desfecho fatal!

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Museu Municipal Carlos Reis

Perto do castelo, na Rua do Salvador, poderá fazer uma visita ao Museu Municipal Carlos Reis. Este espaço museológico está dividido em várias secções. No núcleo de pintura de Carlos Reis, estão expostas cerca de vinte obras deste pintor naturalista torrejano, que se destacou quer como retratista, quer como pintor de paisagens e de cenas da vida quotidiana campestre. No núcleo de arte sacra, encontram-se algumas obras de fotografia, pintura e escultura provenientes de casas e templos da região de Torres Novas, das quais se destacam as várias tábuas quinhentistas, retiradas da Ermida de Nossa Senhora do Vale. Existe ainda um núcleo arqueológico, que cobre um período que vai do Paleolítico à época da ocupação romana, com especial relevo para os achados provenientes da Villa Cardilium, uma habitação romana situada nas imediações da cidade.

Local: Rua do Salvador, n.° 10.
Contacto: 249 81 25 35.
Horário: de terça a sexta, das 09.00 h às 12.30 h e das 14.00 h às 17.30 h. Sábado e domingo, das 10.00 h às 12.30 h e das 14.00 h às 17.30 h. Encerra à segunda.
Preço: gratuito.

Locomotiva Entroncamento

Entroncamento

Siga na direcção do Entroncamento pela estrada principal. Poderá, eventualmente, entrar em Tancos e descer à zona ribeirinha, onde se encontram um agradável jardim e alguns bares. Em frente, fica o Arripiado, por onde passou anteriormente. Regressando à estrada principal, passará, pouco depois, por Vila Nova da Barquinha.

Nesta localidade, temos uma sugestão um pouco diferente: uma visita ao Museu Etnográfico Bar 21 que, como o nome indica, é um bar pitoresco, decorado à moda antiga. Para lá chegar, é necessário virar à esquerda à entrada da Barquinha, junto ao restaurante A Palmeira, e seguir a indicação Centro. O bar fica na Rua Marechal Carmona, n.° 21, depois da igreja e do edifício dos boinas verdes, e é facilmente reconhecível pela fachada, decorada com um santo e peixes de barro. Está aberto a partir das 20.30 h.

• O traçado do nosso percurso continua até ao Entroncamento, cidade que se orgulha da sua tradição ferroviária, já que foi o caminho-de-ferro que esteve na sua origem. Considerada um autêntico museu vivo do comboio, verá que por toda a cidade se encontram vestígios desta actividade, desde os bairros dos antigos trabalhadores ferroviários aos jardins enfeitados por antigas locomotivas a vapor.

• Ao entrar na cidade, seguindo para a direita e virando, novamente, à direita, encontrará um espaço verde em estado razoável, o Parque Dr. José Pereira Caldas, com uma torre-miradouro e um curioso coreto, com um pequeno retiro, adornado por uma fonte, escondido na base.

Gamos

Tapada Nacional de Mafra

Este imenso espaço verde, que se estende entre a Malveira e Mafra, foi criado, em 1747, por D. João V. Aqui tem-se procurado, com algum sucesso, obter um bom equilíbrio entre a actividade cinegética, o turismo e a conservação da natureza. Poderá fazer um percurso guiado misto, instalado, na maior parte do tempo, num comboio articulado. Terá oportunidade de observar belas paisagens e muita da fauna local: gamos, javalis, aves de rapina e diversos répteis e anfíbios. Também é possível fazer a visita de BTT ou a cavalo ou na forma de um percurso pedestre.

Local: Portão do Codeçal, Mafra.
Contacto: dias úteis, 261 81 70 50; fins-de-semana, 261 81 42 40.
Horário: visitas ao público em geral (não se realizam em Dezembro e Janeiro) – sábados, domingos e feriados, com início às 10.15 h e às 15.00 h. Percurso pedestre (7,5 km) – todos os dias, com início às 10.00 h e às 14.00 h (não aconselhável a menores de 9 anos).