Dividida por esse vasto caudal de água que dá pelo nome de Rio Tejo, a Região de Lisboa e Vale do Tejo tem certamente muito para oferecer, seja na margem direita, travada pelo oceano, seja na margem esquerda, onde já se sente a proximidade da província alentejana. A influência deste grandioso rio – o maior que atravessa o nosso país – faz-se notar não só nos campos, lezírias, vales e planícies, mas também nas cidades e gentes, que desde sempre procuraram tirar o melhor partido da enorme abundância que o seu leito proporciona.

• Nesta região, como não poderia deixar de ser, Lisboa, a “cidade das sete colinas”, atrairá uma boa parte das atenções. Mas, como poderá constatar, existem muitos outros pontos de interesse nestas paragens, que nada ficam a dever aos da cosmopolita capital. Com efeito, os atractivos são mais que muitos, seja qual for a direcção em que se desloque. As páginas seguintes mostram que, nesta região, não faltam locais dignos da sua visita, alguns deles ainda relativamente desconhecidos. A verdade é que, além dos pontos emblemáticos do nosso país, como o Mosteiro de Alcobaça, o Convento de Mafra ou o Santuário de Fátima, entre tantos outros, existem ainda, no perímetro de Lisboa e Vale do Tejo, autênticas “pérolas” à espera de serem descobertas.

• Estas preciosidades (as muito e as pouco conhecidas) surgem, pelo menos aos nossos olhos, como perfeitamente capazes de lhe proporcionar muitos momentos agradáveis. Os percursos que se seguem foram seleccionados com essa intenção e esperamos ainda que lhe sugiram um bom número de apetecíveis alternativas.

Entroncamento

Siga na direcção do Entroncamento pela estrada principal. Poderá, eventualmente, entrar em Tancos e descer à zona ribeirinha, onde se encontram um agradável jardim e alguns bares. Em frente, fica o Arripiado, por onde passou anteriormente. Regressando à estrada principal, passará, pouco depois, por Vila Nova da Barquinha.

Nesta localidade, temos uma sugestão um pouco diferente: uma visita ao Museu Etnográfico Bar 21 que, como o nome indica, é um bar pitoresco, decorado à moda antiga. Para lá chegar, é necessário virar à esquerda à entrada da Barquinha, junto ao restaurante A Palmeira, e seguir a indicação Centro. O bar fica na Rua Marechal Carmona, n.° 21, depois da igreja e do edifício dos boinas verdes, e é facilmente reconhecível pela fachada, decorada com um santo e peixes de barro. Está aberto a partir das 20.30 h.

• O traçado do nosso percurso continua até ao Entroncamento, cidade que se orgulha da sua tradição ferroviária, já que foi o caminho-de-ferro que esteve na sua origem. Considerada um autêntico museu vivo do comboio, verá que por toda a cidade se encontram vestígios desta actividade, desde os bairros dos antigos trabalhadores ferroviários aos jardins enfeitados por antigas locomotivas a vapor.

• Ao entrar na cidade, seguindo para a direita e virando, novamente, à direita, encontrará um espaço verde em estado razoável, o Parque Dr. José Pereira Caldas, com uma torre-miradouro e um curioso coreto, com um pequeno retiro, adornado por uma fonte, escondido na base.

Percurso em Torres Vedras

Iniciamos este percurso em Torres Vedras, onde sugerimos a visita a diversos pontos de interesse, antes de se aventurar por outras localidades. Praias, moinhos e diversas áreas de lazer são alguns dos locais que merecem a sua atenção. Propomos também um “salto” às Termas do Vimeiro, de onde provém a água com o mesmo nome. Finalmente, antes do regresso a Torres Vedras, não deixe de passar pela Lourinhã, onde se encontra um óptimo museu com algumas peças “jurássicas”.

Moinho de Caixeiros

Seguindo caminho, passará, pouco depois, pelo Moinho de Caixeiros, que aparece do lado esquerdo da estrada, junto a um cruzamento com semáforos. Completamente recuperado e em perfeito estado de funcionamento, este moinho é um autêntico museu vivo, que serve de recordação a todos os moleiros que, até há bem poucas décadas, trabalhavam nos muitos moinhos que ainda hoje se avistam pelos cabeços desta região. Normalmente, o moleiro vivia no piso térreo. Em média, cada moinho produzia 10 a 15 quilos de farinha por hora. Ao lado do moinho, existe um pequeno bar onde ser- vem deliciosos pãezinhos com chouriço.

Óbidos

Regresse pela mesma estrada até às Caldas da Rainha e, ao entrar na rotunda onde se encontra a estátua da Rainha D. Leonor, tome a direcção de Óbidos. Pouco antes de chegar à vila, passará por um imponente edifício, que surge bem destacado, num descampado, do lado direito da estrada. Trata-se do Santuário do Senhor Jesus da Pedra. Este singular edifício foi construído entre 1740 e 1747, em substituição de uma pequena capela que ficava a cerca de 300 metros a norte deste local. A sua denominação advém de uma cruz de pedra com a imagem de Cristo gravada, de data e origem desconhecidas. Repare na magnífica abóbada pintada e no pequeno coche que, até há pouco tempo, servia para transportar a imagem da Virgem nas peregrinações à Nazaré.

Horário: todos os dias, das 09.30 h às 12.30 h e das 14.20 h às 18.40 h.
Preço: gratuito.

• Diante do santuário, existe um grande recinto, onde as crianças, normalmente menos interessadas em pormenores históricos e arquitectónicos, podem andar de bicicleta. Junto a um restaurante que aí se encontra, repare no bonito Chafariz Rocaille, da segunda metade do século XVIII.

• Depois, suba à vila de Óbidos, passando por baixo do elegante aqueduto, e estacione no parque logo à entrada. Um pouco acima do estacionamento, há um bom parque de merendas. Óbidos é uma vila típica, onde o tempo parece ter parado. Dê um longo passeio pelas estreitas ruelas e procure apreciar, por detrás do cenário turístico que se impõe aos olhares menos atentos, as verdadeiras lojinhas do comércio tradicional, onde os habitantes se abastecem. Aproveite também para parar numa das muitas tasquinhas e provar uma ginginha local. Depois, faça uma visita ao Museu Municipal de Óbidos, onde poderá observar uma boa colecção de peças de arqueologia, pintura, escultura e arte sacra, além de diversas obras de Josefa de Óbidos. O período conturbado da Guerra Peninsular (séc. XIX) está bem representado na secção de armaria.

Local: Praça de Santa Maria.
Contacto: 262 95 50 10.
Horário: todos os dias, das 10.00 h às 12.30 h e das 14.00 h às 18.00 h. Encerra nos principais feriados.

• Junto ao museu, na Oficina do Barro, poderá assistir ao fabrico artesanal dos conhecidos cestinhos, pacientemente moldados com rolinhos de argila. Nas diversas lojas de vinhos, poderá adquirir o que de melhor se produz, neste sector, na região e no país. Em certos estabelecimentos poderá provar, gratuitamente, alguns vinhos.

Não termine a visita sem subir ao castelo, de onde poderá apreciar a magnífica panorâmica dos arredores. Curiosamente, há alguns séculos, as águas da Lagoa de Óbidos banhavam os muros do castelo, do lado poente.

Em Leiria

Sugerimos que, logo pela manhã, inicie o percurso com um passeio pelo centro histórico da cidade, tomando o pequeno-almoço ou uma bebida fresca numa das esplanadas dos cafés da Praça Rodrigues Lobo e desfrutando de uma bonita perspectiva do castelo, que espreita sobre os telhados das casas. Depois, faça uma visita ao Jardim Luís de Camões, que fica mesmo ali ao lado. Sob a copa de diversas tílias de grande porte, encontrará um jardim bem cuidado, com diversos arruamentos e bancos, uma esplanada, um bar e um pequeno lago repleto de vigorosos inhames.

• Saindo pelo extremo leste do jardim e atravessando a ponte sobre o Rio Lis, chegará ao Parque Tenente Coronel Jaime Filipe da Fonseca, que foi um ilustre leiriense. Este espaço de lazer, quase tão extenso como o seu nome, começa logo com um excelente ponto de interesse para os mais novos (e não só!): um avião bimotor que serviu, há muitas décadas, a Força Aérea Portuguesa. Logo a seguir, existe um excelente parque infantil, muito bem equipado. O parque estende-se sempre à beira-rio, através de uma agradável alameda arborizada, onde muitos pescadores tentam a sua sorte nas águas promissoras do Lis. Repare na ponte, de configuração ondulada, que contrasta, de forma agradável, com a superfície plana das águas do rio. Neste parque existem também vários campos de ténis, um lago com os seus patinhos, um ringue e um campo de basquetebol.

• Saia do parque pelo portão por onde entrou, siga esse caminho até encontrar a ponte à direita e atravesse o rio. Continuando a andar na outra margem, sempre no mesmo sentido, passará pela Igreja do Espírito Santo e, depois, por um bonito fontanário – a chamada Fonte Grande (séc. XVIII). Depois, pegue no carro e siga as indicações que o conduzem ao castelo. Depois de atravessar a Porta do Castelo, ou de São Pedro, achará um bonito recinto arborizado que antecede a entrada na fortaleza. Aprecie as grandiosas proporções da capela-mor e do portal da Igreja de Nossa Senhora da Pena, situada dentro do castelo. Em frente à imponente Torre de Menagem, encontra-se o Paço, formado por dois torreões, um grande salão e uma lindíssima galeria panorâmica. Aproveite também para apreciar a bonita vista que se pode desfrutar do castelo.