Dividida por esse vasto caudal de água que dá pelo nome de Rio Tejo, a Região de Lisboa e Vale do Tejo tem certamente muito para oferecer, seja na margem direita, travada pelo oceano, seja na margem esquerda, onde já se sente a proximidade da província alentejana. A influência deste grandioso rio – o maior que atravessa o nosso país – faz-se notar não só nos campos, lezírias, vales e planícies, mas também nas cidades e gentes, que desde sempre procuraram tirar o melhor partido da enorme abundância que o seu leito proporciona.

• Nesta região, como não poderia deixar de ser, Lisboa, a “cidade das sete colinas”, atrairá uma boa parte das atenções. Mas, como poderá constatar, existem muitos outros pontos de interesse nestas paragens, que nada ficam a dever aos da cosmopolita capital. Com efeito, os atractivos são mais que muitos, seja qual for a direcção em que se desloque. As páginas seguintes mostram que, nesta região, não faltam locais dignos da sua visita, alguns deles ainda relativamente desconhecidos. A verdade é que, além dos pontos emblemáticos do nosso país, como o Mosteiro de Alcobaça, o Convento de Mafra ou o Santuário de Fátima, entre tantos outros, existem ainda, no perímetro de Lisboa e Vale do Tejo, autênticas “pérolas” à espera de serem descobertas.

• Estas preciosidades (as muito e as pouco conhecidas) surgem, pelo menos aos nossos olhos, como perfeitamente capazes de lhe proporcionar muitos momentos agradáveis. Os percursos que se seguem foram seleccionados com essa intenção e esperamos ainda que lhe sugiram um bom número de apetecíveis alternativas.

Em Leiria

Sugerimos que, logo pela manhã, inicie o percurso com um passeio pelo centro histórico da cidade, tomando o pequeno-almoço ou uma bebida fresca numa das esplanadas dos cafés da Praça Rodrigues Lobo e desfrutando de uma bonita perspectiva do castelo, que espreita sobre os telhados das casas. Depois, faça uma visita ao Jardim Luís de Camões, que fica mesmo ali ao lado. Sob a copa de diversas tílias de grande porte, encontrará um jardim bem cuidado, com diversos arruamentos e bancos, uma esplanada, um bar e um pequeno lago repleto de vigorosos inhames.

• Saindo pelo extremo leste do jardim e atravessando a ponte sobre o Rio Lis, chegará ao Parque Tenente Coronel Jaime Filipe da Fonseca, que foi um ilustre leiriense. Este espaço de lazer, quase tão extenso como o seu nome, começa logo com um excelente ponto de interesse para os mais novos (e não só!): um avião bimotor que serviu, há muitas décadas, a Força Aérea Portuguesa. Logo a seguir, existe um excelente parque infantil, muito bem equipado. O parque estende-se sempre à beira-rio, através de uma agradável alameda arborizada, onde muitos pescadores tentam a sua sorte nas águas promissoras do Lis. Repare na ponte, de configuração ondulada, que contrasta, de forma agradável, com a superfície plana das águas do rio. Neste parque existem também vários campos de ténis, um lago com os seus patinhos, um ringue e um campo de basquetebol.

• Saia do parque pelo portão por onde entrou, siga esse caminho até encontrar a ponte à direita e atravesse o rio. Continuando a andar na outra margem, sempre no mesmo sentido, passará pela Igreja do Espírito Santo e, depois, por um bonito fontanário – a chamada Fonte Grande (séc. XVIII). Depois, pegue no carro e siga as indicações que o conduzem ao castelo. Depois de atravessar a Porta do Castelo, ou de São Pedro, achará um bonito recinto arborizado que antecede a entrada na fortaleza. Aprecie as grandiosas proporções da capela-mor e do portal da Igreja de Nossa Senhora da Pena, situada dentro do castelo. Em frente à imponente Torre de Menagem, encontra-se o Paço, formado por dois torreões, um grande salão e uma lindíssima galeria panorâmica. Aproveite também para apreciar a bonita vista que se pode desfrutar do castelo.

Portinho da Arrábida

Continue o caminho em direcção ao Portinho da Arrábida. Pouco depois, passará por uma estrutura industrial, de aspecto sinistro, completamente coberta por um pó cinzento – trata-se “apenas” de uma cimenteira, que, infelizmente, continua a fumegar no coração de um dos nossos melhores parques naturais. Ainda bem que, alguns quilómetros depois, esta má recordação acaba por se desvanecer, à vista da excelente Praia da Figueirinha. A praia de areia fina é banhada por um mar de água cristalina, onde apetece passar o dia inteiro a nadar. Durante a maré baixa, é costume formar-se uma língua de areia, que delimita uma enorme poça de água muito apreciada pelas crianças.

• Seguindo caminho, passará por um elegante túnel que atravessa a falésia rochosa, dando acesso a uma estrada lindíssima que acompanha, de perto, a costa. Do lado oposto, eleva-se a Serra da Arrábida, coberta pelo matagal típico das regiões mediterrânicas. Nesta altura, se tiver a janela do carro aberta, poderá deleitar-se com uma agradável mistura de aromas, onde normalmente sobressaem o rosmaninho e a esteva. Depois, vire à esquerda no cruzamento onde aparecem as indicações Portinho da Arrábida e Museu Oceanográfico. Irá ter à baía do Portinho da Arrábida, graças a uma estrada estreita que, nalguns locais, não permite o cruzamento de dois automóveis – por isso, convém sinalizar a sua presença buzinando algumas vezes, nomeadamente junto à fortaleza, de forma a evitar manobras complicadas. Chegando à baía, estacione no parque, que é pago. Existe outro parque no lado oposto da baía, mas, deste lado, a paisagem é bem mais agradável.

• Atente bem na curva pronunciada da linha costeira, na praia de areia branca e no ilhéu da Pedra da Anicha, a rematar o conjunto. Trata-se de um local com uma beleza única no nosso país. Experimente dar um passeio, à beira-mar, até à zona de areal em frente ao ilhéu. Aí, forma-se uma rampa natural de areia, quase irresistível para os especialistas em rebolar pela encosta abaixo – as crianças. As águas, geralmente cristalinas e pouco agitadas, também são relativamente seguras para os mais novos.
Se preferir ficar apenas a apreciar a paisagem, há excelentes esplanadas, semelhantes a varandins sobre o mar, pertencentes aos restaurantes que aí se encontram. Durante a maré cheia, bandos de gaivotas vêm até muito perto dessas esplanadas, com a esperança de conseguirem algum alimento.

Óbidos

Regresse pela mesma estrada até às Caldas da Rainha e, ao entrar na rotunda onde se encontra a estátua da Rainha D. Leonor, tome a direcção de Óbidos. Pouco antes de chegar à vila, passará por um imponente edifício, que surge bem destacado, num descampado, do lado direito da estrada. Trata-se do Santuário do Senhor Jesus da Pedra. Este singular edifício foi construído entre 1740 e 1747, em substituição de uma pequena capela que ficava a cerca de 300 metros a norte deste local. A sua denominação advém de uma cruz de pedra com a imagem de Cristo gravada, de data e origem desconhecidas. Repare na magnífica abóbada pintada e no pequeno coche que, até há pouco tempo, servia para transportar a imagem da Virgem nas peregrinações à Nazaré.

Horário: todos os dias, das 09.30 h às 12.30 h e das 14.20 h às 18.40 h.
Preço: gratuito.

• Diante do santuário, existe um grande recinto, onde as crianças, normalmente menos interessadas em pormenores históricos e arquitectónicos, podem andar de bicicleta. Junto a um restaurante que aí se encontra, repare no bonito Chafariz Rocaille, da segunda metade do século XVIII.

• Depois, suba à vila de Óbidos, passando por baixo do elegante aqueduto, e estacione no parque logo à entrada. Um pouco acima do estacionamento, há um bom parque de merendas. Óbidos é uma vila típica, onde o tempo parece ter parado. Dê um longo passeio pelas estreitas ruelas e procure apreciar, por detrás do cenário turístico que se impõe aos olhares menos atentos, as verdadeiras lojinhas do comércio tradicional, onde os habitantes se abastecem. Aproveite também para parar numa das muitas tasquinhas e provar uma ginginha local. Depois, faça uma visita ao Museu Municipal de Óbidos, onde poderá observar uma boa colecção de peças de arqueologia, pintura, escultura e arte sacra, além de diversas obras de Josefa de Óbidos. O período conturbado da Guerra Peninsular (séc. XIX) está bem representado na secção de armaria.

Local: Praça de Santa Maria.
Contacto: 262 95 50 10.
Horário: todos os dias, das 10.00 h às 12.30 h e das 14.00 h às 18.00 h. Encerra nos principais feriados.

• Junto ao museu, na Oficina do Barro, poderá assistir ao fabrico artesanal dos conhecidos cestinhos, pacientemente moldados com rolinhos de argila. Nas diversas lojas de vinhos, poderá adquirir o que de melhor se produz, neste sector, na região e no país. Em certos estabelecimentos poderá provar, gratuitamente, alguns vinhos.

Não termine a visita sem subir ao castelo, de onde poderá apreciar a magnífica panorâmica dos arredores. Curiosamente, há alguns séculos, as águas da Lagoa de Óbidos banhavam os muros do castelo, do lado poente.

Percurso nas Caldas da Rainha

A partir das Caldas da Rainha, sugerimos um passeio até à Lagoa de Óbidos e à Foz do Arelho; uma conhecida, mas ainda aceitável, zona balnear. Seguimos depois em direcção a Óbidos, uma pacata vila guardada pelas muralhas do castelo, onde o bulício da cidade ainda não chegou. E, tendo ido até tão perto, não poderíamos deixar de passar por Peniche e fazer uma visita à Berlenga, ali a dois passos. No final, regressamos às Caldas, quem sabe para comprar uma recordação mais marota…

Museu dos Fósforos

Um pouco adiante, ao lado da Igreja de São Francisco, não deixe de visitar este curioso museu. Ficará certamente maravilhado com a maior colecção filumenística da Europa, com cerca de 40 000 caixas, carteiras e etiquetas de fósforos e recordará, seguramente, algumas imagens da sua infância. Esta enorme colecção foi iniciada por Aquiles Mota Lima, que a doou à Câmara Municipal para que fosse exibida ao público, continuando depois a crescer, graças às constantes doações de particulares.

Local: Câmara Municipal de
Tomar, Praça da República.
Contacto: 249 32 98 23 (Posto de Turismo).
Horário: todos os dias, das 10.00 h às 12.00 h e das 14.00 h às 18.00 h.
Preço: gratuito.