Em Vila Real

Ao visitante acabado de chegar, esta cidade, dominada pelo aspecto imponente das serras circundantes não causa grande impressão. Mas um passeio pelo centro acaba por revelar exactamente o contrário: camuflados pela aparência desmotivante dos símbolos de “progresso”, encontram-se locais bastante atractivos. Sugerimos que faça uma parte do passeio a pé e, se quiser evitar a preocupação constante de ter de repor moedas nos parquímetros, pode deixar o carro no parque subterrâneo, junto à esquadra da polícia: esse parque também é pago, mas sempre é mais cómodo do que os referidos parquímetros…

• Assim, propomos que comece o dia tomando o pequeno-almoço ou um café numa das pastelarias do centro. Se o tempo estiver bom, experimente ficar numa esplanada, aproveitando para “tomar o pulso” ao ambiente da cidade. Depois, faça uma visita à Capela da Misericórdia, um templo de traça românica, apesar de ter sido construído no séc. XVI. Segundo a tradição, no mesmo local estaria antes uma sinagoga. Lá dentro encontrará sete quadros a óleo do séc. XVII, representando cenas da Paixão de Cristo, e o túmulo do denominado Santo Soldado. Nas traseiras, repare nos dois nichos nas esquinas do edifício, com imagens de dois santos em pedra.

• Ali mesmo, na Rua da Misericórdia, nos n.° 51 a 53, encontrará a Casa Lapão (contacto: 259 32 41 46, aberta todos os dias até às 19 horas), especializada no fabrico de doçaria regional. Se estiver a fazer dieta, o melhor é nem visitar a Igreja da Misericórdia, não vá algum aroma trazido pela aragem obrigá-lo a mudar de ideias… Caso contrário, aconselhamo-lo a provar, pelo menos, os pastéis-de-santa-clara e as cristas-de-galo. O preço varia entre cerca de 0,5 e 1,1 euros.

• Na Avenida Carvalho Araújo, não deixe de reparar na fachada do edifício onde está instalado o Posto de Turismo. Depois, atravesse a rua, para uma breve visita à gótica Sé Catedral (igreja do antigo Convento de São Domingos), onde se encontram interessantes capitéis esculpidos com temas naturalistas. A entrada faz-se pela face oposta à avenida, onde existe um átrio sombreado por enormes plátanos. Repare também nas figuras de pedra talhadas sobre os portais, do lado esquerdo da entrada da igreja.
Mais abaixo, poderá ver a casa onde se supõe ter nascido Diogo Cão, explorador da Costa de África e um dos mais ilustres filhos da terra. É um edifício de aspecto medieval, em bom estado de conservação, com escadaria exterior sob uma arcada. Curiosamente, no n.° 27 da mesma rua, encontra-se a casa onde viveu, durante a infância, Jaime Neves, um dos capitães de Abril.

• Na esquina da Rua Serpa Pinto, repare no antigo edifício da pensão-restaurante Excelsior, com a sua traça elegante, embora esteja em muito mau estado. Aprecie o torreão e o escudo de pedra. Em frente, do outro lado de um largo em forma de triângulo, ergue-se a bonita fachada da Capela Nova ou Igreja dos Clérigos, uma “jóia” barroca atribuída a Nicolau Nasoni, arquitecto responsável por obras tão conhecidas como a Torre dos Clérigos ou o Palácio do Freixo, no Porto.
Nesta parte velha da cidade, repare também nas graciosas sacadas de alguns edifícios, em ferro muito trabalhado, típicas desta urbe.

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