A região algarvia é delimitada a norte pela planície alentejana e a sul pelo mar. A paisagem compreende essencialmente o barrocal (extensa zona onde afloram rochas calcárias e composta por vegetação tipicamente mediterrânica) e a praia, com pequenos apontamentos de serra mais a norte. O sudeste é dominado pelo Parque Natural da Ria Formosa, conhecido pela diversidade da sua fauna e flora, bem como pela variedade de habitats. A oeste é a Área de Paisagem Protegida da Costa Vicentina que mais costuma atrair a atenção dos visitantes.

• Uma das características que distinguem esta de outras regiões do país é a clara influência mourisca, que se manifesta não só nos vestígios arqueológicos que se podem encontrar um pouco por todo o Algarve, mas também na arquitectura tradicional, com especial relevo para as chaminés rendilhadas e as açoteias (pequenos terraços sobre as casas).

• Até há bem pouco tempo, as populações algarvias viviam sobretudo da actividade piscatória e da indústria conserveira. Com o declínio destas duas actividades, o turismo tornou-se a principal fonte de rendimento. Contudo, apesar do que alguns guias turísticos parecem dar a entender, o Algarve não é apenas uma zona de veraneio dominada pela praia, onde todos os Agostos se juntam milhares de turistas, portugueses e estrangeiros, como répteis desesperados em busca de sol e calor. A verdade é que, embora nem sempre sejam devidamente promovidos, existem muitos outros pontos de interesse que vão para além desta visão redutora.

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Caldas de Monchique

Depois, saia de Aljezur em direcção a Monchique. Ao fim de 15 quilómetros, irá passar por Marmelete, onde, num pequeno outeiro, é possível visitar a Ermida de Santo António, que possui um bom miradouro. Um pouco adiante chegará à Nave, na EN 266, onde irá deparar com a visão de uma enorme pedreira. Até custa a acreditar, no meio de uma paisagem tão bela…

Ao chegar ao cruzamento, vire à direita em direcção às Caldas de Monchique.

• Já os romanos frequentavam estas termas, banhando-se nas águas que brotam da terra a uma temperatura constante de cerca de 32° C. Ainda hoje muitas pessoas recorrem a estas águas medicinais na esperança de aliviar doenças de pele, reumatismos ou meras indigestões provocadas pela pesada gastronomia local. É um sítio agradável, repleto de edifícios de estilo vitoriano e com um casino que encerra memórias elegantes de meados do século XIX, altura em que estas termas eram muito concorridas, nomeadamente pela burguesia espanhola. Agora as suas ruas e praças enchem-se de uma multidão heterogénea de turistas, que ali encontram um local tranquilo e fresco, muito diferente do bulício escaldante das praias da costa sul.

• Depois de provar as águas borbulhantes de gosto sulfuroso, sugerimos que dê uma volta despreocupada pelos bonitos jardins da terra, por onde passam diversos cursos de água. Nos recantos mais apetecíveis encontram-se mesas e bancos de pedra, que convidam a uma refeição frugal acompanhada pelo canto das aves. Mas se não apreciar piqueniques, poderá sempre comer num dos restaurantes locais.

• No antigo casino, agora transformado em loja de artesanato, pode comprar frascos de mel da Serra de Monchique, garrafas de aguardente de medronho e todas as suas derivações licorosas. Mas, atenção: o medronho feito na região chega a ter 50° de teor alcoólico, o que pode constituir uma agressão demasiado forte para os organismos mais sensíveis! No entanto, talvez seja a única forma de se livrar do gosto sulfuroso das águas termais…

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Jardins do Palácio

Siga agora para a povoação de Estói e estacione perto da Igreja Matriz de São Martinho. Ao fim da rua, avistam-se os elegantes portões de ferro forjado que dão acesso ao Jardim do Palácio de Estói.

• O Palácio de Estói é um edifício bastante invulgar de estrutura rococó, em fase de reabilitação. Os jardins, apesar de se encontrarem em péssimo estado de conservação, ainda constituem um local agradável para um bom passeio à sombra do arvoredo. Estão repletos de estátuas e de motivos em azulejaria. Não deixe de apreciar o lago, ornamentado ao centro por uma fonte desactivada, com duas sereias e enormes conchas de pedra.

Existem instalações sanitárias no jardim, embora não estejam indicadas: ficam à direita, na rua da entrada.

• Por baixo da escadaria que nos leva do lago para uma alameda bem sombreada por árvores frondosas, encontra-se uma pequena cascata com estátuas de pedra, protegida por enormes portões de ferro trabalhado. Repare nos mosaicos do chão: são semelhantes aos que existem em Milreu.
As estátuas que ornamentam as escadarias representam celebridades portuguesas e estrangeiras, como o Marquês de Pombal, Bocage, Garrett, Castilho e Milton.

Local: Estói.
Horário: Das 09.30 h às 12.30 h e das 14.00 h às 17.30 h.
Fecha aos domingos, segundas e feriados.
Preço: gratuito.

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Fonte Pequena e Fonte Grande

Logo à entrada da vila, vai encontrar uma placa indicando que as Fontes ficam para a direita.

• Pouco depois, chegará à Fonte Pequena, que se encontra num belo parque à beira-rio. Dispõe de vários bancos, mesas e boa sombra do arvoredo denso. Atravessando a ponte de madeira, encontram-se também, a montante, alguns restaurantes.

O rio, pouco profundo, está repleto de peixes que a limpidez da água deixa apreciar facilmente, porventura demasiado confiantes no letreiro que proíbe a pesca neste local. Em poucos sítios é possível apreciar, tão de perto, barbos e bordalos destas dimensões.

• Continuando na mesma estrada, encontrará, um pouco adiante, a Fonte Grande. Aqui, as margens do rio foram consolidadas por muros de pedra rústica, com algumas escadarias de acesso à água.

Uma represa mantém o nível de água constante. A profundidade é baixa na maior parte do leito do rio; no entanto, junto da parede da represa existe um fundão onde mesmo os adultos não têm pé. Como não existe qualquer protecção que mantenha as crianças na zona menos profunda, é conveniente estar com atenção para que, se não souberem nadar bem, não sejam inadvertidamente arrastadas (apesar de a corrente do rio ser bastante suave) para “fora de pé”. Tirando este pormenor, trata-se de um local que poderá proporcionar algumas horas muito agradáveis, tanto às crianças como aos pais. Zonas relvadas, miradouros com alguns bancos e balneários completam este magnífico local de diversão e repouso. A não perder!

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Lagoa

Retome a direcção da Lagoa pela EN 125. Como facilmente poderá constatar, este trecho da estrada está repleto de lojas de artesanato diverso, que se sucedem de forma constante.

• A região da Lagoa é especialmente conhecida graças aos seus vinhos. Por isso, sugerimos que comprove pessoalmente a sua qualidade, provando uma selecção representativa dos melhores vinhos locais. (Mas, atenção: quase todos os vinhos da Lagoa têm um elevado teor alcoólico, que anda pelos 13 a 13,5%!).

• Para quem vem de Portimão, a Adega Cooperativa da Lagoa fica do lado direito, junto a um cruzamento com semáforos. Passando o portão, o posto de venda e de provas fica ao fundo, do lado direito.

• É possível fazer uma visita guiada às adegas, durante a qual se fica a saber quase tudo sobre a produção e o engarrafamento dos cinco tipos de vinhos da região, em que predominam os tintos. Segue-se a prova, que decorre junto ao posto de venda. Se o desejar, também pode adquirir os que forem mais do seu agrado. Os preços vão de cerca de 1,5 Euros, para uma garrafa de vinho de mesa comum, até cerca de 6,25 Euros, para um Porches tinto de 1998.

• A visita com prova simples é gratuita, mas se desejar um acompanhamento de pão e chouriço, já lhe custará cerca de 3 Euros (por pessoa), além de que essa modalidade está sujeita a marcação prévia (contacto: 282 34 21 81).

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Fortaleza de Sagres

Siga agora para Sagres, voltando à EN 268. Aí recomendamos-lhe uma visita à Fortaleza de Sagres, que passou a ter entrada paga, sem se perceber bem a razão para a mudança.

• O facto de, afinal, nunca ter existido aqui uma verdadeira escola de navegantes não diminui em nada a importância e a beleza deste local. Infelizmente, o mesmo já não se pode dizer do aspecto de duas construções recentes, destinadas a um museu, que funcionam agora como restaurante, loja de recordações e instalações sanitárias.

• Depois de ver a enorme rosa-dos-ventos, com cerca de 43 metros de diâmetro, a Igreja de Nossa Senhora da Graça e o Padrão dos Descobrimentos, poderá apreciar a vista de cima das muralhas e observar um antigo relógio solar. A seguir, faça o percurso em volta do promontório que os romanos e outros povos que os precederam consideravam sagrado. É, de facto, um local ímpar na costa portuguesa, de grande beleza natural. Em dias com pouca neblina, poderá avistar toda a costa, desde o Cabo de São Vicente até Lagos.

• No caminho da Fortaleza para o parque de estacionamento onde, em princípio, terá deixado o carro, não se esqueça de reparar, se ainda não o tiver feito, na grande variedade de vegetação costeira que cresce entre o eriçado de rochas que cobrem o solo.

Contacto: 282 62 01 40.
Horário: Verão (Maio a Setembro), das 10.00 h às 20.30 h. Inverno (Outubro a Abril), das 10.00 h às 18.30 h. Aberto todos os dias, excepto a 1 de Maio e 25 de Dezembro.