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Serra d’Ossa

Saia da zona velha de Estremoz pela Porta de Évora. Chegando à rotunda, tome a direcção de Elvas. Siga pela EN 4 até encontrar, algumas centenas de metros depois, o cruzamento de ligação ao Redondo. Bastarão alguns quilómetros para começar a sentir os primeiros sinais de serra: um aroma intenso a flores e ervas campestres invade tudo. Pouco tempo depois, estará em plena Serra d’Ossa, conhecida, na Antiguidade, pelo curioso nome de Monte de Vénus.

• Chegando ao alto da serra, a seguir a uma curva, encontrará um espaço, à direita, onde pode estacionar. Daí terá uma óptima vista sobre a base da serra e zonas adjacentes, descortinando-se perfeitamente o Redondo, Alandroal, Borba, Vila Viçosa e diversas pedreiras. Algum tempo depois de iniciar a descida pela vertente oeste da serra, verá, um pouco escondido pelo arvoredo, o antigo Convento de São Paulo (séc. XIV), hoje transformado num confortável hotel. Segundo rezam as crónicas, aí terão pernoitado figuras como D. Sebastião (quando viajava para o Norte de África), D. João IV, D. Catarina de Bragança e D. Carlos. O antigo convento encerra uma das maiores colecções privadas de azulejos do país, bem como duas fontes florentinas e agradáveis jardins. O espaço pode ser visitado, bastando, para isso, contactar a recepção do hotel (tel. 266 98 91 60).

• Continuando caminho, passará, daí a 3 quilómetros, pela Aldeia da Serra, uma povoação simpática, embora bastante descaracterizada, e depois pela Candieira, um local onde se encontram alguns vestígios arqueológicos. Antes de chegar ao Redondo, no lugar de Monte Branco, verá, à direita, o desvio para a Herdade Roquevale, um dos principais produtores de vinho da região, cuja marca mais conhecida é o Tinto da Talha. Se tiver interesse em visitar as caves e, eventualmente, efectuar uma prova de vinhos, contacte previamente a herdade, pelo tel. 266 99 93 88.

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Museu do Mármore

Neste museu, poderá ver diferentes amostras do mármore extraído na região, perceber quais são as diferentes fases do processo de transformação e observar alguns artefactos e maquinaria utilizados na extracção e na arte de trabalhar a pedra. Aproveite para reparar nos painéis de azulejos que revestem a antiga estação, pois relatam factos relacionados com o Alentejo e a história de Vila Viçosa e do país.

Local: antiga Estação da CP.
Contacto: 268 98 05 16.
Horário: todos os dias, das 10.00 h às 12.30 h e das 15.00 às 18.00 h (de Maio a Setembro) ou até às 17.30 h (de Outubro a Abril). Encerra à segunda.
Preço: entrada gratuita.

• Regresse à rua da Igreja da Lapa e, junto às piscinas municipais, vire à esquerda, na direcção da Praça da República. Esta praça é o centro de Vila Viçosa. Para quem vem da Alameda Henrique Pousão, logo à entrada, à direita, fica a Igreja de São Bartolomeu, que causa algum impacto graças à sua fachada, revestida de mármore da região. Estacione e, a partir daqui, continue a pé o passeio pela vila. Mais abaixo, também à direita, encontrará o Posto de Turismo (contacto: 268 88 11 01). Continuando a descer a praça, sempre pela direita, chegará à Igreja da Misericórdia, um templo do séc. XVI. Nessa altura, passe para o outro lado da praça, não sem lançar um olhar de relance ao castelo. Passará por lá mais tarde. Por agora, siga pela Rua Florbela Espanca. Foi nessa rua, numa estreita casa de dois andares, que terá vivido a poetisa (veja também a caixa A alma torturada de Florbela Espanca).

Aí perto, na igreja do antigo Convento de Santa Cruz, está sedeado um pequeno, mas interessante, museu de arte sacra, no qual se destacam as diversas peças de metais nobres e pedras preciosas, bem como algumas pinturas e esculturas.

Local: Rua Florbela Espanca.
Contacto: o mesmo do Posto de Turismo.
Horário: todos os dias, das 09.00 h às 12.30 e das 14.00 h às 17.30 h. Encerra à segunda.

• Continuando pela mesma rua, chegará ao imenso Terreiro do Paço, onde se destaca a estátua equestre do rei D. João IV, obra do escultor Francisco Franco. À esquerda, no edifício onde funciona, actualmente, a Pousada de D. João IV, encontra-se o antigo Convento das Chagas de Cristo. A igreja do convento tem sido utilizada como Panteão das Duquesas de Bragança.

• Ao lado, encontra-se o Paço Ducal. Este extraordinário edifício integra quatro diferentes colecções museológicas, sendo uma delas composta pelas salas e recheio do próprio palácio. Os outros núcleos incluem o Museu da Armaria, o Museu de Carruagens e o Tesouro do Paço. É, sem dúvida, a mais importante casa-museu de Vila Viçosa, com colecções de grande valor. Para uma visita completa necessitará de, pelo menos, 2 horas.

Contacto: 268 98 06 59.
Horário (excepto para o Tesouro do Paço): de Outubro a Março – terça a domingo, das 09.30 h às 13.00 h e das 14.00 h às 17.00 h; de Abril a Setembro – terça a sexta, das 09.30 h às 13.00 h e das 14.30 h às 17.30 h; sábado e domingo, das 09.30 h às 13.00 h e das 14.30 h às 18.00 h. Encerra às segundas e feriados. A última visita inicia-se uma hora antes do fecho. Horário para o Tesouro do Paço: de Outubro a Maio -terça a sexta, das 12.15 h às 15.30 h. Encerra às segundas, fins-de-semana e feriados; de Junho a Setembro – encerrado todos os dias.

• A saída do Paço faz-se pelos jardins, também eles belíssimos. No final, o visitante passa pela Porta dos Nós, em cujo arco se pode ver uma espécie de vimes, cortados e atados com vigorosas cordas esculpidas. À esquerda, vê-se um recanto ajardinado com uma construção encimada por uma cúpula e, à direita desse espaço, uma rampa que conduz à Tapada Real, onde, em tempos, os nobres se dedicavam a uma das suas actividades favoritas: a caça. Não muito longe da entrada para a Tapada, fica o Alto de São Bento e um miradouro, conhecido como A Varanda dos Namorados, de onde se tem uma perspectiva interessante sobre uma boa parte da vila. Infelizmente, o local aparenta um certo abandono.

• Voltando ao Terreiro do Paço e seguindo em direcção ao castelo, passará pelo antigo Convento de Santo Agostinho. Desde o século XVII, a igreja do convento, uma das maiores de Portugal, tem sido utilizada como Panteão dos Duques de Bragança. Contornando o convento, chegará à Praça Martim Afonso de Sousa. Aí se encontra uma bonita fonte, com fachada em mármore, normalmente enfeitada com vasos de flores. Depois, suba pela Avenida dos Duques de Bragança. Virando na primeira rua à esquerda, chegará ao lado norte da muralha do castelo. Entre pela Porta de Estremoz e aprecie as casas do velho burgo medieval. A seguir, deparará com o adro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, que é também a Igreja Matriz de Vila Viçosa. No cemitério ao lado, jaz o corpo de Florbela Espanca.

Dentro do recinto do castelo, encontrará o Museu de Caça e o Museu de Arqueologia, ambos ao cuidado da Fundação da Casa de Bragança (contacto: 268 98 06 59). As condições de ingresso são semelhantes às dos museus atrás referidos. O Museu de Caça é considerado um dos melhores do mundo no seu género. Depois da visita, saia do castelo pela Porta de Évora, voltada para a Praça da República.

Borba - Porta de Estremoz

Borba

Regresse ao automóvel e saia de Vila Viçosa na direcção de Borba, derradeira etapa do nosso itinerário. Borba não tem, é forçoso dizer-se, a majestade de Vila Viçosa nem a imponência de Estremoz. Mas merece, mesmo assim, uma visita atenta. A melhor forma de a conhecer é através de um passeio a pé. O centro histórico é relativamente pequeno, de forma que facilmente se aperceberá dos pontos mais importantes. Chamamos a atenção, sobretudo, para o antigo castelo, do qual apenas restam a torre de menagem e as portas de Estremoz e do Celeiro. A Torre do Relógio foi acrescentada à fortificação após o terramoto de 1755. Na Rua Maria de Borba, à qual dá acesso a Porta de Estremoz, existe uma das formosas estações da Via Sacra, os chamados Passos. Encontrará diversas dessas estações espalhadas pela vila. Digna de menção é também a Fonte das Bicas, considerada, por alguns, o monumento mais representativo de Borba. Construída no séc. XVIII, toda em mármore branco, ostenta na parte central os bustos dos monarcas da altura, D. Maria I e D. Pedro III. A cornija apresenta ainda o escudo, coroado, da Casa Real Portuguesa. Por detrás da fonte, encontra-se o jardim municipal, com um bonito coreto.

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Vila Viçosa

Tome depois a direcção de Vila Viçosa. A saída do Alandroal, do lado esquerdo, há uma capela, rodeada por um espaço ajardinado e algumas mesas. Trata-se de um recanto agradável que convida a uma pequena paragem, sobretudo nos dias de maior calor. No caminho para Vila Viçosa, verá, de ambos os lados da estrada, enormes pedreiras, onde se procede à extracção de mármores. A exploração das pedreiras da região já data, pelo menos, da época romana. Infelizmente, a extracção intensiva das últimas décadas tem provocado grandes estragos na paisagem. Para quem vem do Alandroal, a chegada a Vila Viçosa faz-se pela zona industrial, pelo que a primeira impressão do viajante, tendo em conta os epítetos de vila-museu e princesa do Alentejo por que é conhecida, é de decepção. Só mais tarde se percebe que a fama é, apesar disso, totalmente justificada.

• Sugerimos que efectue a primeira paragem na Mata Municipal. Trata-se de um jardim agradável, com arvoredo bastante denso e, portanto, muito boas sombras (um autêntico “tesouro”, nesta zona do Alentejo!). Um parque infantil bem equipado, um bom restaurante e arruamentos atractivos completam o quadro. É um óptimo local para descansar um pouco, antes de tentar aproveitar ao máximo tudo o que Vila Viçosa tem para oferecer.

Quando achar que é altura, pegue no carro e dirija-se à antiga estação da CP, onde funciona actualmente o Museu do Mármore. No caminho, passará pela Igreja da Lapa, um templo de meados do séc. XVIII. Defronte da igreja, encontrará também o curioso Cruzeiro da Serpente. Originalmente, este cruzeiro pertencia ao Convento de Santo Agostinho, tendo sido trasladado para aqui em meados do séc. XIX. A serpente alada representa o dragão das armas dos Duques de Bragança.

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Estremoz

No caminho para Estremoz, encontrará ainda, do lado direito da estrada, uma pequena albufeira, junto de uns campos de cultivo. Apesar de a manutenção não ser a mais desejável (há zonas com algum lixo e edificações em ruínas), não deixa de ser um local agradável para um passeio de fim de tarde, pelo caminho que contorna a referida albufeira. Depois, regresse finalmente a Estremoz. Como sabe, a gastronomia da zona é famosa, pelo que considere seriamente a possibilidade de terminar o percurso com um ensopado de borrego ou um lombo de porco, por exemplo, eventualmente acompanhados por um tinto da região. Para acabar em beleza, experimente um bolo rançoso ou uma encharcada.