A caminho da Peneda

Regresse à estrada de onde tomou o desvio para descer ao Soajo e siga na direcção de Roucas e Peneda, através de uma estrada de montanha envolvida por uma paisagem lindíssima. Repare nos inúmeros regatos, no gado que se encontra a pastar e nos garranos que, por vezes, vêm até muito perto da estrada. Se passar por aqui na Primavera, mesmo que seja numa época já tardia, poderá ver os campos todos vestidos do amarelo das flores da giesta-das-vassouras. Aqui e ali, uma moita de urze avermelhada ou de rosmaninho azulado confere à paisagem uma agradável policromia, completada pela folhagem verde dos carvalhos e do resto do mato. Abra bem as janelas do carro e aproveite para inspirar os diversos aromas que pairam no ar!

• Quando começar a ver, ao longe, uma enorme falésia de rocha esverdeada, repare num cabeço mais próximo, que se encontra do lado direito da estrada. Aí, junto a umas tuias (árvores com o aspecto de ciprestes grandes), costuma pastar uma manada de garranos. Estacione o carro na curva junto à tabuleta da Freguesia da Gavieira e desça pelo trilho que aí se encontra até ao cabeço que referimos. Mesmo que os garranos não estejam lá, terá o privilégio de vislumbrar um dos panoramas mais grandiosos do Parque Nacional. Ao longe, vê-se uma igreja sobressaindo sobre o casario: é o Santuário de Nossa Senhora da Peneda, por onde passaremos mais tarde.

• Chegado a Roucas, propomos um pequeno desvio de cerca de 10 quilómetros ao percurso principal. Vire à esquerda, passe Gavieira e São Bento do Cando e, depois de um pinhal, vire novamente à esquerda, em frente do campo de futebol. Siga por essa estradinha de terra batida enquanto achar que o piso permite a passagem do carro. Depois estacione e continue a pé. Vá sempre em frente, pelo lado esquerdo. De repente, aparecerá, quase “por magia”, no meio da charneca, um pequeno lago formado pela retenção das águas de uma barragem. Durante os meses quentes, a água fica a uma temperatura ideal para dar um mergulho. Ao mesmo tempo, poderá aproveitar para apreciar a paisagem, que é magnífica. Se preferir, também pode recostar-se no canal de descarga do açude onde corre um pequeno riacho por uma levada, ideal para uma “hidromassagem” um pouco mais sofisticada…

• Se, de repente, se vir cercado por uma manada de vacas com grandes chifres (de raça cachena), não se assuste. É muito possível que esteja a tomar banho no seu bebedouro, mas, depois de saciarem a sede, os animais seguirão o seu caminho. O gado das freguesias dos arredores é mantido nestes pastos de altitude durante o período estival, sendo a sua vigilância assegurada por pastores das diversas aldeias, que se vão revezando.
Esta forma comunitária de olhar pelo gado já se pratica nesta região há vários séculos, tal como acontece com os rebanhos de ovelhas e cabras na Serra da Estrela.
Mais aborrecida poderá ser a eventual passagem de um helicóptero a baixa altitude, uma vez que este é um dos corpos de água da região onde o serviço de combate aéreo aos incêndios florestais vem abastecer-se em caso de necessidade.

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